CentroesteNews
22/09/2025
A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) aprovou, no último dia 15 de setembro, a inclusão de dois medicamentos inovadores para o tratamento do lúpus eritematoso sistêmico no Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde — a lista que define os atendimentos de cobertura obrigatória pelos planos de saúde no Brasil.
Os remédios anifrolumabe e belimumabe passam a ser disponibilizados a partir de 3 de novembro de 2025 para beneficiários de planos de saúde que tenham indicação médica. A estimativa da agência é de que cerca de 2 mil pessoas sejam diretamente beneficiadas pela medida — especialmente adultos que sofrem crises frequentes da doença, mesmo sob terapia padrão.
Marco histórico para pacientes
É a primeira vez que medicamentos de uso exclusivo contra o lúpus são incluídos na lista obrigatória da ANS. Até então, pacientes dependiam de protocolos limitados de medicação e, em muitos casos, precisavam recorrer à Justiça para conseguir acesso aos novos tratamentos.
Para o diretor-presidente da ANS, Wadih Damous, a decisão representa um avanço importante:
“Essas inclusões são muito significativas, pois o lúpus é uma doença complexa, que não tem cura. Se temos no país opções de medicamentos que possibilitam o controle da doença e que garantem uma boa qualidade de vida para o paciente, isso precisa estar disponível para o consumidor”, afirmou.
O que é o lúpus?
O lúpus eritematoso sistêmico (LES) é uma doença autoimune crônica, em que o sistema imunológico ataca tecidos e órgãos saudáveis. Pode causar inflamações, dores, fadiga e comprometer atividades cotidianas.
Sem o devido controle, pode levar a complicações graves, como insuficiência renal, problemas cardiovasculares e pulmonares, além de afastamento do trabalho e impactos sociais.
No Brasil, a Sociedade Brasileira de Reumatologia estima que o lúpus afete entre 150 mil e 300 mil pessoas. A doença atinge majoritariamente mulheres entre 20 e 45 anos, mas também pode ocorrer em homens, que, quando diagnosticados, apresentam maior risco de problemas renais. A prevalência é mais alta em pessoas negras, tanto no Brasil quanto em outros países.
Impacto para pacientes e planos
A decisão da ANS deve facilitar o acesso ao tratamento e reduzir desigualdades, já que muitos pacientes enfrentavam dificuldades financeiras para custear os medicamentos.
Do lado das operadoras, a inclusão no rol representa um aumento de custos, mas, segundo especialistas, os benefícios de adesão ao tratamento podem reduzir internações e complicações graves, equilibrando gastos no médio prazo.