CentroesteNews
23/01/2026
Em depoimento à Polícia Federal, o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, reconheceu que a instituição enfrentava problemas de liquidez e baseava sua operação no Fundo Garantidor de Créditos (FGC), uma estratégia que, segundo ele, seguia as regras do setor financeiro. Vorcaro destacou que a falta de liquidez foi uma situação pontual, e não estrutural, e afirmou que o banco honrou todos os compromissos até 17 de novembro, um dia antes de sua liquidação decretada pelo Banco Central.
O FGC, mecanismo criado para proteger os clientes de instituições financeiras em caso de intervenção ou falência, deverá enfrentar o maior pagamento de sua história, estimado em R$ 41 bilhões, dividido entre investidores com aplicações de até R$ 250 mil. Em seu depoimento, Vorcaro atribuiu a crise do banco a mudanças nas regras do FGC, sugerindo que houve pressão de outras instituições financeiras e uma campanha para minar a reputação do Master. No entanto, ele não detalhou essas mudanças nem apresentou evidências que sustentassem suas alegações.
O Banco Central, ao justificar a liquidação, apontou a falta de liquidez e graves violações às normas do sistema financeiro como fatores decisivos. Vorcaro, por outro lado, defende que sempre operou conforme as regras vigentes e argumenta que o uso do FGC como base do modelo de negócios do Master fazia parte do que ele chamou de “regra do jogo”. Ele também afirmou que a pressão regulatória e do mercado levou a instituição a buscar alternativas para captar dinheiro, um movimento que acabou intensificando a crise.
O caso do Banco Master chama atenção pelo impacto histórico, não apenas em relação às cifras mobilizadas pelo FGC, mas também pelos questionamentos que levanta sobre a atuação das instituições financeiras e a rigidez regulatória no país. A polêmica segue em apuração, e mais detalhes poderão trazer esclarecimentos tanto sobre a conduta do banco quanto sobre as pressões que culminaram na sua liquidação.




