CentroesteNews
16/01/2026
A União Europeia convocou uma reunião de emergência para este domingo (18) com o objetivo de discutir as tarifas anunciadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra países europeus que apoiaram a Groenlândia diante das recentes ameaças americanas. A decisão elevou a tensão diplomática e colocou em risco as relações transatlânticas e o próprio acordo comercial entre EUA e UE.
O encontro reunirá representantes dos 27 países do bloco no Chipre, em um momento considerado crítico por líderes europeus. Segundo avaliações internas, o tarifaço pode provocar uma “espiral descendente perigosa” nas relações comerciais e políticas entre os dois lados do Atlântico.
No sábado, Trump anunciou que, a partir de 1º de fevereiro, países como Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Países Baixos e Finlândia passarão a sofrer uma tarifa adicional de 10% sobre todos os produtos exportados aos Estados Unidos. O presidente americano afirmou ainda que a alíquota poderá subir para 25% em 1º de junho de 2026, caso não seja alcançado um acordo para a “compra completa e total da Groenlândia”.
A medida foi anunciada após esses países enviarem contingentes militares à Groenlândia, a convite do governo dinamarquês, como parte de exercícios de segurança no Ártico. Trump classificou a movimentação como “um jogo muito perigoso” e afirmou que as nações envolvidas assumiram “um nível de risco que não é sustentável nem tolerável”.
Em resposta, os presidentes do Conselho Europeu, António Costa, e da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, divulgaram um comunicado conjunto reafirmando princípios básicos do direito internacional. “Integridade territorial e soberania são fundamentos essenciais para a Europa e para a comunidade internacional como um todo”, afirmaram. Segundo eles, as ações coordenadas pela Dinamarca com aliados não representam ameaça, mas sim uma resposta à necessidade de reforçar a segurança no Ártico, inclusive no âmbito da Otan.
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Os líderes europeus também destacaram apoio ao diálogo iniciado nesta semana, quando ministros das Relações Exteriores da Dinamarca e da Groenlândia viajaram aos Estados Unidos para tentar reduzir as tensões. Apesar de não haver acordo imediato após reuniões com o vice-presidente JD Vance e o secretário de Estado Marco Rubio, ficou definida a criação de um grupo de trabalho de alto nível para dar continuidade às negociações sobre a ilha, considerada estratégica.
O anúncio das tarifas, no entanto, lança incertezas sobre o acordo comercial entre EUA e União Europeia, firmado no ano passado. Pelo entendimento, os Estados Unidos fixariam tarifas de 15% sobre a maioria dos produtos europeus, enquanto a UE se comprometeria a eliminar tarifas sobre bens industriais americanos e parte dos produtos agrícolas. O tratado, porém, ainda depende de aprovação final do Parlamento Europeu.
Nesse contexto, o presidente do Partido Popular Europeu (PPE), Manfred Weber, declarou que a ratificação do acordo tornou-se inviável neste momento. Segundo ele, diante das ameaças de Trump relacionadas à Groenlândia, a suspensão do entendimento comercial passa a ser uma opção concreta. Caso o PPE se una a grupos de esquerda, há possibilidade real de bloqueio ou adiamento da aprovação.
A reunião de emergência deste domingo ocorre, portanto, sob forte pressão política e econômica. Para a União Europeia, o desafio será equilibrar a defesa da soberania territorial, a manutenção do diálogo diplomático e a proteção dos interesses comerciais do bloco, em um cenário de crescente imprevisibilidade na política externa americana.




