A Polícia Federal colocou sob a lupa um episódio que mistura política de alto escalão e suspeitas criminais nos hangares do Aeroporto Executivo Internacional Catarina, em São Roque. Um inquérito foi aberto para apurar indícios de contrabando em um voo privado que trouxe ao Brasil uma comitiva de peso, incluindo o presidente da Câmara, Hugo Motta, e o senador Ciro Nogueira, além dos deputados Doutor Luizinho e Isnaldo Bulhões. O grupo retornava da ilha caribenha de São Martinho em uma aeronave ligada ao empresário piauiense Fernando Oliveira Lima, do setor de apostas online, quando um procedimento de desembarque fora dos padrões chamou a atenção dos investigadores.
De acordo com relatórios da corporação, a suspeita central recai sobre a forma como o conteúdo transportado passou pela alfândega no dia 20 de abril de 2025. O documento aponta que um auditor fiscal teria permitido que o comandante do voo passasse com diversos volumes por fora do sistema de raio-x, evitando a fiscalização obrigatória para voos internacionais. Diante da presença de autoridades com foro privilegiado na lista de passageiros, a Polícia Federal enviou o caso ao Supremo Tribunal Federal, argumentando que não se pode descartar a participação de detentores de prerrogativa de foro em possíveis irregularidades que venham a ser confirmadas ao longo das diligências.
Enquanto a Procuradoria-Geral da República analisa as manifestações e os próximos passos do caso, os envolvidos negam qualquer conduta ilícita. O deputado Hugo Motta e o empresário Fernando Oliveira Lima defendem que todos os ritos legais foram cumpridos no momento da chegada ao país e sustentam que os pacotes identificados pela fiscalização pertenciam, na verdade, ao próprio piloto da aeronave. O embate de versões agora segue nos tribunais, onde a Justiça deverá decidir se a amizade e a cortesia do transporte aéreo escondiam, nos bastidores, práticas que desafiam as leis de importação brasileiras.