O cotidiano de quem representa a população da região Oeste de Mato Grosso tem sido marcado por um misto de angústia e indignação. Enquanto as estruturas de saúde avançam em alguns pontos, um obstáculo aparentemente pequeno, mas de consequências devastadoras, tem impedido que o socorro chegue a quem mais precisa: a falta de diálogo e acolhimento por parte das novas diretorias regionais. O vereador Valmir Moretto, que vivencia o drama de famílias de Pontes e Lacerda até Cáceres, trouxe a público um desabafo que é, na verdade, um grito de socorro em nome de milhares de cidadãos que dependem do sistema público de saúde no Vale do Guaporé.
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A crítica não é sobre furar filas ou desrespeitar critérios técnicos de UTI, mas sobre a humanidade básica de atender um telefone quando uma vida está por um fio. Moretto relembra que, em tempos não tão distantes, havia um canal direto e eficiente com as diretorias de saúde, onde gestores se mostravam disponíveis aos sábados, domingos e madrugadas para dar um respaldo mínimo às famílias desesperadas. Hoje, o cenário é de portas fechadas e horários rígidos de repartição pública, o que ignora a natureza das emergências médicas que não escolhem hora para acontecer. Para o parlamentar, o silêncio institucional é uma forma de desrespeito com a população que, muitas vezes, vê no representante político a última esperança de sobrevivência.
A situação torna-se ainda mais dramática quando se analisam os relatos que chegam via áudios e mensagens de texto, onde irmãos, filhos e pais imploram por uma intervenção que os livre da morte. Moretto questiona o isolamento da nova gestão da saúde na região Oeste, relatando que, até o momento, não recebeu da Secretaria de Saúde uma indicação clara de quem seria o interlocutor capaz de agilizar atendimentos críticos. Essa lacuna na comunicação cria um abismo entre a necessidade real do paciente e a burocracia do Estado, transformando pedidos de socorro em processos sem rosto e sem pressa.
Embora reconheça os avanços estruturais conquistados nos últimos anos, o vereador enfatiza que as “coisas pequenas” — como a atenção a um telefonema ou o acolhimento digno a uma família — são justamente as que decidem o destino de uma vida. O compromisso agora é buscar uma reestruturação desse diálogo, garantindo que o Vale do Guaporé não seja apenas um número em uma planilha de regulação, mas uma região onde a saúde seja tratada com a urgência e a sensibilidade que cada vida humana exige.