CentroesteNews
20/01/2026
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O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, afirmou nesta terça-feira (20) que a Groenlândia não pode ser considerada “uma parte natural” da Dinamarca, ao comentar o aumento das tensões internacionais em torno do território no Ártico. Segundo o chanceler russo, os conflitos ligados a antigos domínios coloniais tendem a se intensificar em um cenário global marcado por disputas estratégicas e reconfiguração de poder.
As declarações ocorrem em meio à escalada de tensões provocada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que voltou a defender o controle total da Groenlândia por Washington. Embora a ilha seja um território autônomo sob soberania dinamarquesa, Trump argumenta que a região é vital para a segurança nacional norte-americana, devido à sua posição estratégica e ao potencial militar e econômico no Ártico.
No último sábado (17), Trump anunciou a imposição de tarifas sobre importações de aliados europeus que se posicionaram contra qualquer tentativa de anexação ou controle direto da Groenlândia pelos Estados Unidos. A medida aprofundou o atrito diplomático entre Washington e capitais europeias, especialmente Copenhague, que reafirma a soberania dinamarquesa sobre o território.
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O episódio reacendeu debates sobre autodeterminação, herança colonial e a crescente militarização do Ártico, região cada vez mais valorizada por suas rotas comerciais, reservas naturais e importância geopolítica.
A Rússia reagiu de forma ambígua à crise. Autoridades em Moscou demonstraram entusiasmo com o aprofundamento das divergências entre Estados Unidos e Europa, enxergando na crise uma fragilização da unidade ocidental. Ao mesmo tempo, o Kremlin se mostrou incomodado com declarações de Trump sugerindo que a Rússia também teria interesse em controlar a Groenlândia.
Lavrov rejeitou essa interpretação e criticou o que classificou como tentativas de envolver Moscou em disputas que não partem da política externa russa, reforçando que o foco do debate deveria ser o legado colonial e o direito dos povos a decidir seu futuro.
Com autonomia ampliada e forte identidade local, a Groenlândia tornou-se peça central em um tabuleiro geopolítico cada vez mais disputado, onde interesses militares, econômicos e ambientais se sobrepõem. A fala de Lavrov sinaliza que o debate sobre soberania no Ártico tende a ganhar novos contornos, especialmente à medida que grandes potências testam limites diplomáticos e estratégicos.