O ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar, foi novamente preso pela Polícia Federal nesta sexta-feira (27), em sua residência em Teresópolis, na Região Serrana do Rio. A prisão faz parte da terceira fase da Operação Unha e Carne, sob mandado expedido pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Bacellar foi levado à Superintendência da Polícia Federal no Rio e, posteriormente, transferido para o presídio de Benfica, onde aguardará audiência de custódia que deve ocorrer neste fim de semana.
A operação, segundo a Polícia Federal, está atrelada à ADPF 635/RJ, conhecida como ADPF das Favelas, e cumpre determinações de sentença envolvendo a investigação de grupos criminosos. Além da prisão, foi cumprido um mandado de busca e apreensão na residência do deputado cassado. A decisão judicial aponta indícios de participação de Bacellar em organização criminosa e de atos que buscaram obstruir investigações, como vazamento de informações sigilosas e orientação para retirada de provas de locais investigados. A perda do mandato, ocorrida na última terça-feira (24), foi um dos fatores que motivaram a nova prisão, sob justificativa de garantir a ordem pública.
Rodrigo Bacellar já havia sido preso em dezembro do ano passado na primeira etapa da mesma operação, que investigava o vazamento de dados sigilosos de ações policiais contra o Comando Vermelho. Dias após a prisão, ele foi solto mediante cumprimento de medidas cautelares, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica, que, segundo a decisão atual, não foram suficientes para conter novas irregularidades atribuídas ao ex-deputado.
A prisão ocorre dias após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinar a cassação de Bacellar por envolvimento no chamado “escândalo da Ceperj”. O levantamento de suspeitas envolve relações impróprias com verbas destinadas à fundação, além de práticas que levaram também à cassação do ex-governador Cláudio Castro. Como consequência, os votos recebidos por Bacellar nas eleições de 2022 serão desconsiderados, sendo necessário um novo cálculo de distribuição de cadeiras na Alerj, com retotalização marcada para 31 de janeiro.
No plano jurídico, Bacellar ainda enfrenta uma denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR), no último dia 16, que o acusa de vazar informações sigilosas sobre uma operação da PF para Thiego Raimundo de Oliveira Santos, conhecido como TH Joias, que, por sua vez, tinha ligações com o Comando Vermelho. A denúncia também envolve mais quatro pessoas, incluindo um desembargador federal apontado como fonte inicial do vazamento.
A defesa de Bacellar expressou indignação com a nova prisão. Em nota, os advogados Daniel Bialski e Roberto Podval classificaram a medida como “indevida e desnecessária”, ressaltando que o ex-deputado vinha cumprindo rigorosamente as medidas cautelares impostas anteriormente. Segundo os defensores, será apresentada contestação e recurso para tentar reverter a decisão o quanto antes.
O caso segue em investigação, e a prisão reforça os desdobramentos de uma série de ações que buscam apurar e responsabilizar supostas práticas criminosas ligadas ao ex-parlamentar.