Em um cenário econômico desafiador, um dado preocupante acende o alerta no Brasil: são 101 milhões de pessoas utilizando cartão de crédito, uma modalidade que, para o presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, é a grande responsável pela escalada do endividamento no país. Esse número impressionante, referente a janeiro deste ano, revela que quase metade da população brasileira de 213 milhões de habitantes se apoia nesse tipo de crédito, muitas vezes transformando uma ferramenta de emergência em um complemento rotineiro de renda, um hábito com consequências pesadas para os orçamentos familiares e que tem mobilizado discussões no mais alto escalão do governo.
A fala de Galípolo, proferida nesta quinta-feira, ressoa em um momento de profunda preocupação, ecoando as palavras do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que tem manifestado publicamente seu empenho em buscar soluções para aliviar a carga da dívida sobre os brasileiros. O dilema para o BC é complexo: embora a intenção seja oferecer alternativas mais saudáveis de crédito, uma intervenção direta nos juros, como a limitação de preços, poderia paradoxalmente reduzir a oferta, criando um cenário de desconforto ainda maior para quem busca acesso a financiamento. A busca, portanto, é por arranjos mais equilibrados, que evitem as armadilhas de linhas como o rotativo do cartão de crédito, famoso por suas taxas proibitivas que alcançaram 425% ao ano em janeiro, tornando-o a modalidade mais cara do mercado.
Esse aumento no endividamento não é um fenômeno isolado, mas o resultado de uma sequência de choques econômicos globais, que, segundo Galípolo, impulsionaram a inflação e corroeram o poder de compra das famílias. Desde a pandemia de Covid-19, passando pela guerra na Ucrânia, pela guerra tarifária com os Estados Unidos e agora o conflito no Oriente Médio, os preços subiram em “quatro degraus”, impactando diretamente o bolso do trabalhador que, para equilibrar o orçamento, acabou recorrendo mais e mais ao cartão de crédito. É um ciclo que exige atenção e a busca por saídas que permitam ao brasileiro gerir suas finanças de forma mais segura, longe das taxas “punitivas” que transformam o que deveria ser um facilitador em um verdadeiro pesadelo financeiro.