O encerramento da janela partidária, na última sexta-feira (3/4), redesenhou o mapa político da Câmara dos Deputados, provocando ganhos expressivos para algumas siglas e perdas significativas para outras. Embora o movimento não tenha alterado a hegemonia dos maiores partidos, ele expôs realinhamentos estratégicos importantes em um ano decisivo para as eleições presidenciais e legislativas.
O PL, que aposta na candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro (RJ), consolidou-se como a maior bancada da Casa e registrou o maior crescimento absoluto. A sigla ampliou sua representação de 88 para 97 deputados, reforçando sua influência interna — ainda que continue abaixo dos 99 parlamentares que possuía no início da legislatura, em 2022. Parte desse avanço foi impulsionada pela chegada de figuras de peso, como Alfredo Gaspar, ex-relator da CPMI do INSS.
Enquanto isso, o PT, do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, teve uma leve retração, passando de 67 para 66 deputados, mas mantendo-se como a segunda maior força da Câmara. A legenda tenta administrar perdas pontuais em meio ao processo de reorganização das alianças que antecede o pleito.
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Centrão perde espaço e novos atores aparecem
Entre os partidos do Centrão, o União Brasil sofreu um dos maiores impactos, encolhendo de 59 para 51 parlamentares, perda de oito cadeiras — a maior em números absolutos entre as siglas mais robustas. Esse movimento reflete divergências internas e disputas regionais por espaço nas chapas estaduais.
Outras legendas também registraram quedas relevantes:
- PDT: passou de 16 para 9 deputados, a maior redução proporcional da janela — 43,8%.
- PRD: caiu de cinco para três.
- Cidadania: encolheu de quatro para dois parlamentares.
O PDT ainda viu movimentações emblemáticas, como a ida do ex-ministro do Turismo Celso Sabino, que busca abrir caminho para uma candidatura ao Senado.
Do outro lado, o Podemos protagonizou o maior crescimento proporcional, saltando de 16 para 27 deputados — alta de 68,8%, a mais expressiva entre todos os partidos. Solidariedade, PSD, PP e a federação PSOL-Rede também avançaram, mas de forma mais moderada.
A nova sigla Missão, ligada ao MBL, passou a ter representação na Câmara com a filiação de Kim Kataguiri, que deixou o União Brasil após anos de atrito interno.
Efeitos para o cenário eleitoral
A janela partidária é o único período em que deputados podem trocar de legenda sem risco de perder o mandato, o que torna o movimento uma antecipação das alianças e estratégias para a campanha nacional.
Os números divulgados são preliminares e resultam de levantamentos feitos junto às lideranças partidárias na Câmara. O consolidado oficial será informado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e deve confirmar o peso de cada sigla para negociações de tempo de TV, fundo eleitoral e composição de chapas.
A recomposição das bancadas aponta que:
- O PL tentará capitalizar o crescimento para fortalecer Flávio Bolsonaro;
- O PT deve buscar recompor apoios regionais para blindar a reeleição de Lula;
- O Centrão, antes monolítico, agora se divide entre movimentos de aproximação com governo e oposição;
- Siglas médias buscam ampliar protagonismo enquanto novas legendas tentam se firmar no tabuleiro.