Foi o olhar atento de uma médica obstetra que colocou a Polícia Civil no rastro de um crime que poderia ter passado despercebido. Na última semana, uma paciente de 22 anos deu entrada no Hospital Municipal Adão Pereira Nunes, em Duque de Caxias, com sinais compatíveis com um parto recente — mas sem o bebê.
A profissional desconfiou da situação e comunicou imediatamente os policiais militares que atuam na unidade, que acionaram a delegacia. A partir daí, uma investigação rápida revelou uma história de assassinato e omissão que chocou até investigadores experientes.
A jovem havia dado à luz na casa de familiares, no Jardim Primavera. Parentes disseram à polícia que sequer sabiam da gestação — o período inteiro teria sido escondido. Quando ela passou mal e foi levada ao hospital, os familiares informaram os agentes de que a criança estava morta em um cômodo nos fundos da residência. O corpo foi recolhido e encaminhado para análise, enquanto a polícia dava início às diligências.
Conduzidos à delegacia, o casal foi preso em flagrante e autuado por homicídio qualificado. Nos depoimentos, ambos confirmaram que o bebê nasceu com vida, mas apresentaram versões diferentes sobre o que aconteceu depois. A mãe confessou participação na morte e disse que a decisão foi tomada logo após o parto.
Segundo ela, a criança nasceu chorando, e ambos afirmaram não querer o bebê. “Eu disse: ‘Eu não quero a criança’, e ele falou: ‘Então, eu também não quero’. Foi a partir do momento que se iniciou a tentativa de assassinato”, declarou à polícia.
Já o pai afirmou que a companheira foi a responsável por asfixiar o recém-nascido e que ele apenas ocultou o corpo após a morte, colocando o bebê em um saco plástico e deixando-o em um cômodo da casa. Disse que o casal chegou a cogitar enterrá-lo, mas não levou adiante o plano. As investigações da 60ª DP (Campos Elíseos) apontam que a motivação foi o fato de o casal não querer a criança. O caso segue em apuração.