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CentroesteNews

03/09/2025

 

Mato Grosso alcançou em 2025 uma das maiores reduções já registradas nas áreas atingidas por incêndios florestais. De janeiro a agosto, o fogo consumiu cerca de 859,5 mil hectares em todo o estado, número 71% menor do que em anos anteriores, segundo dados do Instituto Centro de Vida (ICV), com base na plataforma Amazon Fire Dashboard, da NASA.

Um dos destaques é o Pantanal mato-grossense, onde o fogo devastou apenas 5.800 hectares — menos de 1% do que normalmente se registra em períodos de estiagem. O resultado é considerado histórico, já que o bioma, por suas características, costuma ser um dos mais vulneráveis à propagação de incêndios.

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Clima mais favorável e políticas públicas eficazes

Os dados refletem a combinação de condições climáticas atípicas, com temperaturas mais amenas e chuvas acima da média, e de um conjunto de ações estratégicas implementadas pelo Governo de Mato Grosso.

“Este ano, o solo e a vegetação se mantiveram mais úmidos, o que dificultou a propagação do fogo. Mas é preciso reconhecer que a intensificação da fiscalização e as políticas de combate ao desmatamento tiveram impacto direto na redução das queimadas”, avaliou Vinicius Silgueiro, coordenador do Núcleo de Inteligência Territorial do ICV.

Pantanal sob vigilância constante

Entre as medidas específicas para o Pantanal, estão a antecipação do período proibitivo do uso do fogo, iniciado em 1º de junho (um mês antes do previsto para Amazônia e Cerrado), e a instalação da Sala de Situação Descentralizada, em Poconé, que monitora em tempo real os focos de calor.

Com a detecção imediata, as equipes conseguem agir ainda na fase inicial dos incêndios, evitando que pequenas ocorrências se transformem em tragédias ambientais.

Segundo o tenente-coronel BM Rafael Ribeiro Marcondes, comandante do Batalhão de Emergências Ambientais (BEA), a integração entre tecnologia, prevenção e resposta rápida tem sido decisiva.

“Não apenas no Pantanal, mas em todos os biomas, os investimentos e as condições climáticas resultaram em uma melhora significativa nos índices, alcançando recordes históricos durante o período proibitivo”, destacou.

Desafios em áreas federais

Apesar do avanço, o comandante reforça que os esforços precisam ser ampliados em áreas sob jurisdição federal, como terras indígenas e assentamentos.
“Cerca de 56% dos eventos de fogo durante o período proibitivo ocorrem nesses territórios, onde as condições climáticas são mais críticas e a fiscalização estadual não tem autonomia”, explicou.

Por isso, o governo de Mato Grosso já solicitou apoio de órgãos federais para atuação integrada.

Estrutura reforçada e investimentos milionários

Para enfrentar a temporada de estiagem de 2025, o Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso (CBMMT) mobilizou uma estrutura sem precedentes:

  • 1.420 bombeiros militares;

  • 150 brigadistas estaduais temporários;

  • 100 brigadistas municipais;

  • 80 viaturas especializadas;

  • 8 aeronaves em operação simultânea (2 próprias e 6 contratadas).

Outro destaque é o Sistema Integrado de Cadastro de Recursos para Apoio aos Incêndios Florestais (SICRAIF), que já reúne cerca de 8 mil recursos cadastrados entre brigadistas, máquinas, propriedades, equipamentos e aeronaves, permitindo mobilização rápida em situações críticas.

Essas ações fazem parte do investimento de R$ 78 milhões direcionados ao CBMMT, dentro de um total de R$ 125 milhões aplicados pelo Estado em prevenção e combate a incêndios e no enfrentamento ao desmatamento ilegal.

Avanço histórico, mas sem margem para descuidos

Os números indicam um cenário de maior preservação ambiental em Mato Grosso, especialmente no Pantanal, que já sofreu com incêndios devastadores nos últimos anos. Porém, especialistas e autoridades alertam que a manutenção desses resultados depende da continuidade dos investimentos, da cooperação entre esferas de governo e da participação da sociedade.

“Estamos diante de um marco positivo, mas não podemos relaxar. O desafio é manter a vigilância constante, pois basta uma estiagem mais severa ou a redução da fiscalização para que os índices voltem a subir”, alertou Silgueiro, do ICV.

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Jornalista: José Claudenir de Almeida – DRT nº 0001650

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