O que deveria ser um dia de comemoração se transformou em um pesadelo para um menino de 10 anos em Goiânia. No dia do próprio aniversário, ele foi resgatado pelo Conselho Tutelar após ser encontrado sozinho, trancado dentro de um quarto, sem acesso a água ou comida.
As imagens do resgate mostram o garoto conversando com os conselheiros pela janela, relatando que havia comido apenas bolachas oferecidas por uma vizinha e que precisava fazer xixi dentro de uma garrafa por não poder sair do cômodo.
A mãe da criança foi presa e deve responder por abandono de incapaz, de acordo com a Polícia Civil. Em sua defesa, ela alegou que saiu durante a noite para trabalhar e que trancou o menino no quarto para impedir que tivesse acesso aos alimentos, sob a justificativa de que ele é diabético e poderia passar mal se comesse em excesso.
A versão, no entanto, contrasta com as condições encontradas pelos militares: o apartamento estava sujo, com roupas espalhadas, lixo e comida apodrecida.
O resgate aconteceu em um prédio no Setor Faiçalville. Segundo o conselheiro tutelar José Roberto da Silva, a criança tem diabetes tipo 1 e foi encontrada em situação de extrema vulnerabilidade. Os bombeiros e a polícia precisaram ser acionados porque tanto a porta do apartamento quanto a do quarto estavam trancadas.
Quando a porta foi aberta, o menino disse algo que ficou marcado na memória dos socorristas: que agora esperava ter uma vida melhor. No quarto, havia apenas um colchão, alguns brinquedos, um ventilador e a garrafa onde ele fazia as necessidades.
Vizinhos e o síndico do prédio relataram uma rotina de abandono. A vendedora Loiana Kelly Brito contou que já havia presenciado a mãe bater na criança e a avisou de que chamaria o Conselho Tutelar.
O síndico Carlos Eduardo Freitas disse que o menino passava o dia inteiro gritando da janela do apartamento, interagindo com outras crianças que brincavam na rua. “É triste, machuca a gente”, desabafou.
Após o resgate, o menino foi levado a uma unidade de saúde, onde foi constatado que a diabetes estava descompensada. A glicose ficou muito alterada pelo tempo que ele ficou sem se alimentar.
Ele precisava tomar uma medicação para receber a insulina e foi transferido para o Hospital da Criança e do Adolescente. A unidade não pôde divulgar informações sobre o estado de saúde por conta do Estatuto da Criança e do Adolescente.
O delegado Eduardo Carrara destacou a gravidade do caso, lembrando que a criança estava privada de alimentos e de um local adequado para fazer as necessidades fisiológicas, além de ter acesso a canetas de insulina, o que representa risco para uma criança de 10 anos.
Ao Conselho Tutelar, o menino manifestou o desejo de morar com o pai, e o órgão agora avalia essa possibilidade junto ao Juizado da Infância e da Juventude.