Governador Mauro Mendes critica promessa de Wellington Fagundes sobre quitação da RGA, alertando para risco de desequilíbrio fiscal. Tema gera debate na política de Mato Grosso.
O governador de Mato Grosso, Mauro Mendes (União), levantou duras críticas ao senador Wellington Fagundes (PL) após o parlamentar prometer quitar o passivo acumulado da Revisão Geral Anual (RGA) aos servidores estaduais. Para Mendes, a proposta repete práticas que, segundo ele, contribuíram para a crise fiscal enfrentada na gestão do ex-governador Pedro Taques.
Durante entrevista à imprensa nesta quarta-feira (11), Mauro Mendes acusou Wellington de incentivar iniciativas irresponsáveis ao propor redução de receitas enquanto promete aumento de despesas. Segundo o governador, esse tipo de política tem potencial para comprometer gravemente as contas públicas. Ainda pontuou que ideias como acabar com o Fundo Estadual de Transporte e Habitação (Fethab) e assumir gastos elevados, como o pagamento da RGA, podem gerar um déficit insustentável para o Estado.
As declarações vieram após um vídeo publicado por Wellington Fagundes em suas redes sociais, onde o senador reafirma seu compromisso em quitar o passivo referente à RGA. No vídeo, Wellington afirma que o pagamento dessa dívida é uma obrigação de qualquer governo que preza pela responsabilidade, reforçando que o não pagamento na gestão atual foi um erro.
O tema da RGA também ganhou novo destaque com uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) apresentada pela deputada estadual Janaina Riva (MDB), em janeiro. A PEC visa reconhecer oficialmente na Constituição estadual a dívida acumulada relacionada aos reajustes inflacionários de 19,52%, que não foram concedidos aos servidores desde 2017. A proposta prevê que o pagamento desse passivo, caso aprovado, será regulamentado por lei complementar com um cronograma de quitação. Janaina defende a medida como uma forma de garantir segurança jurídica aos servidores e formalizar o compromisso do Estado com a categoria.
Enquanto a discussão sobre a RGA aquece o cenário político, as críticas de Mauro Mendes deixam claro o temor de um possível impacto fiscal, trazendo comparações diretas com gestões passadas e alimentando o debate eleitoral. O desenrolar do tema na Assembleia Legislativa e no campo político promete marcar os próximos meses no Estado, destacando o embate entre responsabilidade fiscal e o reconhecimento de direitos dos servidores públicos.