CentroesteNews
10/10/2025
Mato Grosso deu início a um projeto inovador de preservação ambiental que pode transformar a forma como o estado cria e administra suas unidades de conservação. O governo estadual declarou uma área de 45,9 mil hectares em Poconé, no coração do Pantanal, como de interesse público temporário para estudos que visam à implantação do Refúgio de Vida Silvestre da Onça-Pintada.
O anúncio foi feito nesta quinta-feira (9), durante o Seminário Pré-COP 30 MT, em Brasília, e marca o início de um modelo que une planejamento financeiro, parceria internacional e compromisso científico antes da criação definitiva da unidade.
De acordo com o governador Mauro Mendes, o objetivo é corrigir uma prática antiga: a criação de áreas protegidas sem estrutura para mantê-las.
“Queremos garantir que toda unidade nasça com base técnica, recursos definidos e segurança jurídica. Assim, teremos áreas realmente efetivas e não apenas decretos no papel”, afirmou o governador.
O projeto prevê quatro meses de levantamentos técnicos e ambientais, que irão avaliar o potencial ecológico e social da região. A iniciativa é conduzida em parceria com a organização Panthera Brasil, reconhecida mundialmente por seu trabalho na proteção dos grandes felinos.
Para viabilizar o refúgio, a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema-MT) e a Panthera estruturam um Fundo Fiduciário que busca doações de empresas e instituições ambientais do Brasil e do exterior. Segundo o diretor da Panthera, Ronaldo Morato, cerca de 60% dos recursos necessários já estão garantidos.
As propriedades que compõem a área, Porto Jofre Velho, São José Velho, Porto Jofre e Guatos 2 e 3, aderiram voluntariamente ao projeto, em um raro consenso entre governo, produtores rurais e ambientalistas.
A secretária de Meio Ambiente, Mauren Lazzaretti, destacou que o refúgio será um marco na proteção da biodiversidade pantaneira, especialmente da onça-pintada (Panthera onca), espécie símbolo do bioma e uma das mais ameaçadas do continente.
“Estamos criando um modelo que une conservação, ciência e desenvolvimento econômico, abrindo espaço para o turismo de observação e para novas pesquisas sobre a fauna pantaneira”, disse Lazzaretti.
A iniciativa também integra a estratégia estadual de fortalecimento da agenda climática e de valorização do ecoturismo, setores que devem ganhar visibilidade com a realização da COP 30 no Brasil, em 2025.
Além da conservação, o governo e a Secretaria de Desenvolvimento Econômico (Sedec) trabalham em um plano de turismo de observação de fauna, inspirado nos safáris africanos. A expectativa é que o refúgio se torne um polo de turismo ecológico e científico, gerando renda e empregos sustentáveis para comunidades locais.
“O Pantanal é uma joia viva. Proteger a onça é também proteger o modo de vida pantaneiro e garantir que a região continue sendo um orgulho de Mato Grosso para o mundo”, completou a secretária.