O lançamento do livro “Aquarela de Amor” transformou um sonho coletivo em realidade para um grupo de 25 mulheres que compartilham uma vivência comum e profundamente transformadora: a maternidade atípica. A celebração, realizada em Cuiabá, foi marcada por emoção, conexão e um sentimento de gratidão que transbordava em cada depoimento das coautoras, que agora veem suas histórias eternizadas nas páginas de uma obra que nasce com a promessa de ser apenas o primeiro capítulo de muitos outros projetos.
O sentimento de gratidão dominou o evento, ressoando na fala das organizadoras e das mães que compareceram para comemorar a concretização desse projeto literário. “Meu sentimento é de muita gratidão por esse momento. Celebramos aqui a realização desse sonho de 25 mulheres”, destacou a líder do grupo, que expressou ainda a honra de conduzir essas vozes femininas até a materialização do livro. A obra foi viabilizada graças ao empenho de Tati e Aline, citadas nominalmente como as responsáveis por transformar a ideia em realidade e reunir as narrativas que compõem a coletânea.
Entre as coautoras, as histórias se entrelaçam com diferentes perspectivas sobre a maternidade atípica, mas todas convergem para um ponto comum: o impacto transformador de compartilhar experiências que, no passado, eram vividas em isolamento. Uma das mães, ao recordar a trajetória com seu filho Henrique, trouxe à tona o quanto o olhar sobre o autismo era diferente nos anos 90, um período em que o diagnóstico e o acolhimento ainda engatinhavam no Brasil. “O quanto o autismo era em outro olhar nos anos 90 e o quanto isso também nos fez mais fortes e resilientes”, refletiu, acrescentando a alegria de poder dividir essa jornada com tantas outras mães especiais que agora integram a mesma narrativa coletiva.
O projeto carrega ainda uma dimensão artística particularmente simbólica. Uma das coautoras acumulou o privilégio de também ser a fotógrafa responsável por registrar cada uma das participantes no estúdio, criando os retratos que ilustram a obra. “O maior privilégio, além de estar aqui como mãe atípica, como coautora, é de ter feito as fotos que elas estão usando aqui no livro”, contou, descrevendo a experiência de fotografar individualmente cada uma das mulheres cujas histórias agora dividem as mesmas páginas. Essa sobreposição de papéis — autora e retratista — confere ao livro uma camada adicional de intimidade e cumplicidade entre as participantes.
A expectativa pela leitura também marcou os depoimentos. “Estou ansiosa para pegar esse livro e devorar e ver cada historinha”, confessou uma das coautoras, traduzindo o entusiasmo que contagiou o ambiente de lançamento. Para muitas delas, o processo de escrita representou uma travessia pessoal. “Eu participei da escrita de um livro sobre maternidade atípica que foi muito transformador na nossa jornada, na minha jornada de vida e de maternidade”, afirmou outra participante, resumindo o que parece ter sido a tônica do projeto: a literatura como instrumento de cura, resistência e pertencimento.
O título “Aquarela de Amor” não poderia ser mais adequado para uma obra que pinta, em tons diversos e complementares, o retrato de mães que transformaram desafios em força e solidão em comunidade. O lançamento em Cuiabá representa não apenas o fechamento de um ciclo de escrita, mas a abertura de um canal de diálogo sobre a maternidade atípica que, como as próprias autoras fizeram questão de frisar, está apenas começando.