CentroesteNews
07/08/2025
No primeiro semestre de 2025, a Delegacia Especializada de Meio Ambiente (Dema) de Mato Grosso apreendeu 881 mil metros cúbicos de madeira extraída ilegalmente dos biomas Amazônia e Pantanal. A carga, avaliada em R$ 134 milhões, representa um salto de 2.104% em comparação ao mesmo período do ano passado, quando foram confiscados 40 mil m³.
Segundo a Dema, esse volume seria suficiente para encher mais de 35 mil caminhões. Os números reforçam a gravidade da exploração ilegal de madeira em Mato Grosso, estado que integra a Amazônia Legal e sofre com pressões crescentes sobre suas florestas e áreas protegidas.
“O aumento nas apreensões é reflexo direto da atuação da nossa unidade especializada no combate ao desmatamento ilegal, com apoio de avanços tecnológicos, institucionais e legislativos”, destacou a delegada titular da Dema, Liliane Murata.
Alta tecnologia no combate à devastação
A força-tarefa policial tem utilizado plataformas de georreferenciamento como Sentinel, RapidEye, Planet e Brasil Mais para identificar áreas degradadas em tempo real. A atuação vai além do flagrante: envolve análises de dados, perícias ambientais e rastreamento de redes criminosas, além do mapeamento de fluxos comerciais e logísticos da madeira extraída ilegalmente.
As investigações levaram à deflagração de 16 operações no semestre, sendo oito voltadas especificamente para crimes contra a flora. Entre os destaques estão as operações Orcs, Escudo Verde, Eco Legal, Filadélfia, Cadeia Sustentável e Amazônia, que atuaram em pontos estratégicos do estado.
Empresas autuadas e milhões em multas
As ações também resultaram na suspensão de nove empresas, que operavam em desacordo com a legislação ambiental, além da aplicação de mais de R$ 11 milhões em multas. Segundo a Dema, o crescimento no número de sanções e operações “demonstra um cenário de maior produtividade, impacto efetivo e fortalecimento do combate à criminalidade ambiental no estado”.
Entre janeiro e junho, foram instaurados 180 inquéritos policiais, dos quais 116 tratam de desmatamento e extração ilegal de madeira, 41 de pesca predatória e 23 sobre crimes relacionados à administração pública ambiental. A delegacia ainda produziu 854 relatórios policiais e cumpriu 245 ordens de serviço.