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Exoneração estratégica: ministro é afastado em votação que menciona Lulinha na CPMI do INSS

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva exonerou o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, nesta sexta-feira (27), em um movimento estratégico que alterou a composição da CPMI do INSS. Com a saída de Fávaro do ministério e seu retorno ao Senado, a senadora Margareth Buzetti, que ocupava sua vaga como suplente e era alinhada à oposição, perdeu seu lugar na comissão. A mudança abriu caminho para que Beto Faro, senador do PT e aliado do governo, disputasse diretamente a votação do relatório que cita Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.

O relatório, elaborado pelo deputado Alfredo Gaspar, inclui a recomendação de que a Advocacia do Senado solicite à Justiça a prisão preventiva de Lulinha. A defesa do filho do presidente nega as acusações e classificou o relatório como uma tentativa de exploração eleitoral sem fundamentos. O documento começou a ser lido nesta sexta-feira e precisa ser votado até sábado (28), último dia de funcionamento da CPMI.

Nos bastidores, margens estreitas de votos movimentaram intensamente os dois lados da política. Desde quinta-feira, mais de 40 pedidos de alteração de integrantes da comissão foram formalizados, com aliados e opositores revezando cadeiras em busca de maioria. Durante a leitura do relatório, Margareth Buzetti reclamou publicamente da atitude do governo ao substituí-la. Para ela, a exoneração de Fávaro foi uma demonstração de medo da oposição e uma tentativa de blindar Lulinha.

Parlamentares também ficaram de olho na logística dos votos. Durante o dia, deputados e senadores precisaram sair e retornar à CPMI em novas composições, para evitar que faltas prejudicassem posições estratégicas.

A CPMI também foi marcada pela sequência de suspeitas sobre Lulinha, baseadas em depoimentos que ligam seu nome à atuação do empresário Antônio Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”. Ele está preso por suspeitas de desvios relacionados a pensões e à tentativa de negociar vendas de canabidiol. Segundo acusadores, Antunes comentou pagar mesadas de R$ 300 mil a Lulinha para facilitar negociações com o governo. A defesa do filho do presidente nega qualquer envolvimento.

Com 32 membros, a CPMI precisa de maioria simples para aprovar o relatório. Até o momento, as movimentações apontam para um cenário acirrado onde cada voto pode ser decisivo. Caso o texto seja rejeitado, as recomendações feitas pelo relator perdem efeito. A expectativa segue alta para o desfecho dessa comissão, que vem marcando o cenário político com manobras e tensões até os últimos minutos.

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Jornalista: José Claudenir de Almeida

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