Em meio a uma das fases mais tensas das relações entre Estados Unidos e Irã nos últimos anos, o ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Johann Wadephul, afirmou nesta sexta-feira (26/3) que os dois países devem se reunir em breve no Paquistão para discutir um possível acordo de paz. A sinalização, dada em entrevista à rádio Deutschlandfunk, reforça a movimentação diplomática que ocorre nos bastidores para conter a escalada de conflitos no Oriente Médio.
De acordo com Wadephul, contatos indiretos já vêm ocorrendo, e preparativos foram avançados para viabilizar uma reunião presencial.
“Segundo minhas informações, houve contatos indiretos e preparativos foram feitos para um encontro direto. Aparentemente, isso ocorrerá muito em breve no Paquistão”, afirmou o chanceler alemão.
O ministro também destacou que o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, deverá se pronunciar ainda hoje sobre o tema, podendo confirmar oficialmente as tratativas.
Trump sinaliza avanço no diálogo, mas mantém pressão
A possível reunião ocorre em meio a declarações contraditórias do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que tem alternado ameaças militares e mensagens de aproximação diplomática. Na quinta-feira (26/3), Trump anunciou a prorrogação por 10 dias da suspensão de sua ameaça de atacar a infraestrutura energética iraniana.
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A semana anterior foi marcada por um novo pico de tensão, quando o republicano afirmou que destruiria usinas de energia do Irã caso Teerã não reabrisse o Estreito de Ormuz, um ponto estratégico para o comércio global de petróleo. Apesar da retórica dura, Trump afirmou que o diálogo com o Irã “está indo muito bem”.
O governo iraniano, por sua vez, nega oficialmente que esteja disposto a discutir o fim da guerra, mas a manifestação alemã indica que canais diplomáticos seguem ativos.
Paquistão se posiciona como mediador regional
O primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, confirmou no início da semana que seu país está pronto para mediar as negociações entre EUA e Irã.
“O Paquistão está pronto e honrado em sediar negociações significativas e conclusivas para uma solução abrangente do conflito em curso”, declarou Sharif em publicação no X.
O Paquistão, historicamente próximo ao Irã, mas também aliado estratégico dos EUA, tenta assumir protagonismo como ponte diplomática em um momento de instabilidade global.
O que está em jogo
Uma negociação direta entre EUA e Irã poderia:
- Reduzir tensões no Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial;
- Impactar positivamente o preço internacional da energia;
- Abrir espaço para uma reedição — mesmo parcial — de acordos nucleares;
- Conter o risco de uma escalada militar de proporções internacionais.
Apesar disso, analistas ponderam que a relação entre os dois países é marcada por décadas de rupturas, sanções e episódios de conflito, o que torna a construção de um acordo complexa e gradual.