Um estudo que analisou mais de duas décadas do histórico hídrico brasileiro identificou uma redução contínua nas reservas de água subterrânea em áreas estratégicas do país. A pesquisa aponta que regiões do Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e do Brasil central vêm registrando perdas persistentes em aquíferos fundamentais para o abastecimento das cidades e para a produção agrícola.
De acordo com os pesquisadores, a combinação de secas prolongadas, expansão da irrigação intensiva, atividades de mineração e mudanças no uso do solo tem aumentado a pressão sobre os recursos hídricos subterrâneos. O levantamento mostra que importantes sistemas aquíferos e áreas de recarga apresentaram níveis preocupantes de reposição de água ao longo dos últimos anos.
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Entre os locais mais afetados estão regiões associadas ao Pantanal, ao sistema Urucuia e áreas de afloramento do Aquífero Guarani. Em determinados períodos, esses locais chegaram a registrar recarga praticamente nula, indicando que a água retirada do subsolo não foi reposta pelas chuvas em quantidade suficiente.
O estudo também destaca que o fenômeno climático El Niño de 2015 e 2016 marcou uma mudança significativa no comportamento das reservas subterrâneas. Após esse período, áreas que antes apresentavam estabilidade passaram a registrar quedas frequentes nos níveis de armazenamento de água.
Os pesquisadores alertam que os aquíferos desempenham papel essencial na segurança hídrica do país e não devem ser considerados fontes inesgotáveis. A continuidade da exploração intensa, somada às alterações climáticas e às mudanças nos padrões de chuva, pode ampliar os desafios para o abastecimento humano, a produção de alimentos e a conservação ambiental nas próximas décadas.