A Isover, marca do Grupo Saint-Gobain e uma das principais fabricantes de lã de vidro do Brasil, encerrará as atividades industriais de sua unidade localizada no bairro de Santo Amaro, na zona sul da capital paulista. Após mais de sete décadas de funcionamento, a fábrica deixará de produzir no local, que passará a operar exclusivamente como centro de distribuição.
A decisão representa uma mudança significativa para a empresa e deve provocar impactos diretos na economia local. Mais de 100 famílias de trabalhadores serão afetadas pelo encerramento da produção, além de prestadores de serviços, empresas de transporte e fornecedores que mantinham contratos ligados à operação industrial da unidade.
A fábrica era responsável pela produção de lã de vidro, material amplamente utilizado em sistemas de isolamento térmico e acústico. Os produtos atendem diferentes segmentos, como a construção civil, a indústria automotiva e grandes obras de infraestrutura, contribuindo para a eficiência energética, o conforto ambiental e a redução de ruídos em edificações.
Acordo encerrou longa disputa ambiental
O fechamento das atividades industriais ocorre após um acordo firmado entre a empresa, o Ministério Público do Estado de São Paulo e a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb). Nos últimos anos, moradores do entorno da unidade relataram incômodos relacionados à emissão de fumaça, odores e ruídos provenientes da fábrica.
As reclamações motivaram investigações e negociações entre os órgãos ambientais e a empresa, culminando na assinatura de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), que estabeleceu, entre outras medidas, o encerramento definitivo da produção industrial na unidade de Santo Amaro.
Embora a produção seja encerrada, a área continuará sendo utilizada pela empresa como centro logístico, mantendo a distribuição dos produtos para clientes em diferentes regiões do país.
Empresa afirma que cumpria legislação
Em nota oficial, a Saint-Gobain informou que a unidade sempre operou em conformidade com a legislação ambiental vigente e ressaltou que a decisão faz parte de um processo de reestruturação acordado com os órgãos competentes.
A empresa também afirmou que adotará medidas para minimizar os impactos sociais da mudança, oferecendo suporte durante o período de transição aos trabalhadores afetados. Entre as iniciativas previstas estão programas de acompanhamento e ações voltadas ao processo de desligamento dos funcionários.
O Grupo Saint-Gobain reforçou ainda que permanece atuando normalmente no mercado brasileiro por meio de suas demais unidades industriais e centros de distribuição, mantendo suas operações e o fornecimento de produtos para clientes em todo o país.
Impactos econômicos e sociais
O encerramento da produção industrial representa um desafio para trabalhadores e empresas ligadas à cadeia produtiva da unidade. Além das demissões diretas, a medida pode reduzir a movimentação econômica na região, afetando serviços terceirizados, logística e fornecedores que dependiam da fábrica.
Especialistas apontam que processos de reestruturação industrial como esse refletem a necessidade crescente de adequação das empresas às exigências ambientais e urbanísticas, especialmente em áreas que passaram por intensa expansão residencial ao longo das últimas décadas.
Enquanto a produção será encerrada em Santo Amaro, a Saint-Gobain seguirá investindo em outras unidades no Brasil para garantir o abastecimento do mercado nacional.