O sonho da independência financeira e da casa própria está cada vez mais distante para grande parte da juventude brasileira. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística e análises do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos apontam que o aumento dos custos de moradia e de veículos, aliado à estagnação da renda, tem dificultado a autonomia dos jovens.
Segundo os levantamentos, mais de 70% dos brasileiros entre 20 e 34 anos vivem em condições de dependência econômica, seja permanecendo na casa dos pais, dividindo despesas com familiares ou adiando projetos como a compra do primeiro imóvel.
Custo de vida pesa no orçamento
Nos últimos anos, os preços dos imóveis, aluguéis, financiamentos e automóveis cresceram em ritmo superior ao da renda média da população. Esse cenário reduziu o poder de compra dos jovens, que enfrentam dificuldades para formar patrimônio, poupar dinheiro ou assumir financiamentos de longo prazo.
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Além da moradia, despesas com alimentação, transporte, educação e serviços também comprometem uma parcela significativa da renda mensal, tornando mais difícil alcançar estabilidade financeira.
Mercado de trabalho influencia cenário
Especialistas apontam que a realidade também está relacionada às transformações no mercado de trabalho. A maior presença de empregos temporários, contratos informais e salários considerados insuficientes para acompanhar o aumento do custo de vida limita a capacidade de planejamento financeiro da população mais jovem.
Outro fator citado é o aumento do endividamento, que reduz ainda mais a possibilidade de investir na compra de um imóvel ou de outros bens de maior valor.
Casa própria fica mais distante
O resultado é o adiamento de metas que, até poucas décadas atrás, eram comuns no início da vida adulta. Comprar um imóvel, constituir família e conquistar independência financeira passaram a ocorrer mais tarde ou, em muitos casos, foram deixados de lado.
Economistas destacam que políticas voltadas à geração de empregos de maior qualidade, ampliação do acesso ao crédito, incentivo à construção de moradias e valorização da renda podem contribuir para reduzir esse cenário e facilitar o acesso dos jovens ao mercado imobiliário.