O mercado imobiliário de Cuiabá atingiu um novo recorde no terceiro trimestre de 2026, com R$ 1,834 bilhão movimentados na comercialização de imóveis. O resultado representa uma alta de 25,5% em relação ao mesmo período de 2025, mesmo com uma redução na quantidade de unidades negociadas.
Entre julho e setembro, foram comercializados 3.472 imóveis na capital mato-grossense. No mesmo trimestre do ano anterior, foram 3.800 unidades, o que representa uma queda de 8,63% no volume de negócios.
A diferença entre os dois indicadores mostra uma mudança importante no perfil do mercado. Enquanto o número de imóveis vendidos diminuiu, o valor médio das transações aumentou significativamente. O ticket médio passou de R$ 384.684 para R$ 528.378, uma valorização de 37,35% em apenas um ano.
Os números fazem parte de um levantamento realizado pelo Sindicato da Habitação de Mato Grosso (Secovi-MT) em parceria com a Secretaria Municipal de Fazenda de Cuiabá, com apoio da Fecomércio-MT. A pesquisa utiliza dados do ITBI, imposto pago nas transferências de propriedades, para acompanhar o comportamento do setor imobiliário da capital.
Mercado migra para imóveis de maior valor
Segundo o responsável técnico pelo levantamento e vice-presidente do Secovi-MT, Guido Grando Junior, os dados indicam uma mudança no perfil da demanda. Em 2025, houve forte participação de imóveis voltados à habitação popular. Já em 2026, a comercialização de unidades de médio e alto padrão ganhou espaço.
Na prática, isso significa que o mercado conseguiu movimentar mais dinheiro mesmo com menos imóveis vendidos. A maior participação de propriedades de maior valor agregado elevou a receita total do setor.
Outro fator apontado pelo presidente do Secovi-MT e vice-presidente da Fecomércio-MT, Marco Pessoz, é a força do agronegócio na economia mato-grossense. O desempenho do setor agropecuário movimenta também atividades de comércio e serviços e pode estimular empresários e investidores ligados à cadeia a direcionarem parte de seus recursos para imóveis na capital.
Cuiabá, por ser o principal centro urbano e de serviços do estado, acaba funcionando como um dos destinos para investimentos patrimoniais de pessoas que atuam em diferentes segmentos da economia regional.
Regiões Leste e Oeste concentram negócios
A distribuição dos negócios também revela diferenças importantes entre as regiões da capital. Leste e Oeste concentraram quase 65% de todo o valor movimentado no trimestre, somando aproximadamente R$ 1,19 bilhão.
A Região Leste liderou em valor financeiro, com R$ 596,05 milhões em transações. Já a Região Oeste apresentou o maior número de unidades comercializadas, chegando a 1.200 imóveis.
A Região Sul chamou atenção pelo crescimento do valor médio dos imóveis. O ticket médio avançou 65,64% em um ano, passando de aproximadamente R$ 253,85 mil para R$ 420,48 mil.
Na Região Norte, o destaque ficou para os imóveis de alto padrão. No condomínio Florais dos Lagos, por exemplo, o valor médio das unidades negociadas chegou a aproximadamente R$ 3,65 milhões, mostrando o peso desse segmento na valorização do mercado local.
O cenário de Cuiabá acompanha, em parte, um movimento observado no mercado imobiliário brasileiro. Segundo dados citados pelo Secovi-MT, a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) registrou crescimento de 5,4% nas vendas de imóveis no primeiro semestre de 2026, enquanto a oferta de unidades disponíveis no Centro-Oeste aumentou 13,1% na comparação anual.
Com isso, o mercado cuiabano encerra o terceiro trimestre com um cenário de maior volume financeiro, mas menor quantidade de imóveis vendidos. O comportamento indica que o setor está sendo impulsionado principalmente pela negociação de propriedades mais caras, em especial nos segmentos de médio e alto padrão.
O levantamento do Secovi-MT é realizado desde 2015 e permite acompanhar a evolução do mercado imobiliário da capital ao longo dos anos. Para empresários e investidores, os dados também ajudam a identificar quais regiões e segmentos estão concentrando a maior demanda e o maior volume de recursos.