O ministro Flávio Dino passou a ocupar posição central na disputa interna do Supremo Tribunal Federal durante a sessão que discutiu como deveriam ser analisados os casos envolvendo Alexandre de Moraes e André Mendonça no contexto do caso Banco Master.
Dino pediu vista dos autos e interrompeu a análise da questão de ordem que tratava da possibilidade de reunir os dois processos. O STF informou que o mérito da Petição 16.662, relacionada ao relatório da Polícia Federal sobre Moraes, ainda não havia sido analisado.
Antes da suspensão, o plenário estava dividido. Fachin, Mendonça, Luiz Fux e Cármen Lúcia defendiam a manutenção das análises separadas, enquanto Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin defendiam a reunião dos casos. Com o pedido de vista, a discussão foi interrompida e Dino deixou de ter seu voto contabilizado no placar provisório.
A sessão também foi marcada por críticas à condução dos trabalhos e por um confronto verbal entre Gilmar Mendes e André Mendonça. Em meio ao ambiente de tensão, Dino questionou aspectos do procedimento adotado por Fachin e defendeu a necessidade de observância das regras processuais.
A atuação do ministro provocou interpretações diferentes no debate político. Críticos, entre eles o jurista e colunista Conrado Hübner Mendes, avaliaram negativamente determinados momentos da participação de Dino e fizeram críticas à forma como ele se posicionou diante de Fachin. Já setores do campo político alinhados à esquerda destacaram sua postura durante a sessão.
No campo bolsonarista, a atuação de Dino também passou a ser alvo de críticas. Parte desse grupo interpretou o pedido de vista e os posicionamentos adotados pelo ministro como uma atuação favorável a Alexandre de Moraes. Essas são interpretações políticas sobre a atuação de Dino, e não uma conclusão jurídica sobre sua conduta.
O pedido de vista interrompeu temporariamente a discussão. Pelas regras aplicáveis, o ministro dispõe de prazo para devolver o processo, embora a retomada do julgamento dependa da tramitação posterior no Supremo.
O episódio ampliou a exposição pública das divergências entre integrantes da Corte em torno do caso Master. A questão central permanece sem decisão definitiva: se as apurações envolvendo Moraes e Mendonça deverão ser tratadas conjuntamente ou em processos separados.