O Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central reduziu os juros em 0,25 ponto, trazendo a Selic para 14% ao ano, segundo decisão publicada nesta quarta-feira (5). A decisão foi tomada de forma unânime pela cúpula da autoridade monetária.
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O resultado já era amplamente esperado pelo mercado e marca a quarta redução seguida na taxa básica. O atual ciclo de arrefecimento foi deflagrado em março deste ano, quando a Selic passou de 15% — patamar mantido desde junho de 2025 — para 14,75%.
Em seu comunicado, o Banco Central citou que a magnitude total do ciclo de calibração da Selic será estabelecida “à luz de novas informações visando assegurar a convergência da inflação à meta”. Diante do peso da inflação para o Comitê, a cúpula do BC reforçou os riscos relacionados aos preços, classificando-os como “mais elevados que o usual, com assimetria altista”.
Entre os riscos de alta, o colegiado destacou impactos que podem ser causados pelo El Niño e pela disparada do petróleo, com choques na oferta de energia, além dos estímulos à demanda, em particular ao componente de consumo.
O BC conclui a nota com um tom de cautela e diz que o cenário atual é caracterizado por “significativo aumento da incerteza”, o que demanda “serenidade e cautela na condução da política monetária”. Segundo as Opções do Copom da B3, o mercado passou a ver mais um corte na Selic no encontro entre os dias 15 e 16 de setembro.
Essa mudança de percepção se deu no dia 28 de julho, mesmo dia em que o IBGE informou que a prévia da inflação do mês havia sido de alta marginal de 0,06% — bastante abaixo do esperado. Em 12 meses, o IPCA-15 foi de 4,52%, beirando a banda mais alta do limite da meta.
A quase manutenção da inflação de um mês para o outro mostrou que o peso dos juros está se fazendo presente, abrindo uma janela para juros menos restritivos neste ano. Além da inflação mais comportada, o câmbio não dá sinais de grande pressão, com o dólar rondando o patamar de R$ 5,10.
A percepção também é apontada pela constante expectativa de desaceleração da economia brasileira. No Focus, o mercado enxerga o PIB mais fraco em 2026 e 2027: para o ano que vem, a previsão está em alta de 1,57%, a segunda semana seguida de revisão para baixo — em janeiro, a visão estava em 1,8%.