O presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), conselheiro Sérgio Ricardo, afirmou que Várzea Grande enfrenta uma situação de inviabilidade financeira devido ao acúmulo de problemas administrativos, dívidas com precatórios e à crise do Departamento de Água e Esgoto (DAE). A declaração foi feita durante a instalação de uma Mesa Técnica que reúne representantes de diferentes órgãos para discutir alternativas de reequilíbrio das contas do município.
Segundo o conselheiro, a crise é resultado de décadas de dificuldades estruturais e não pode ser atribuída apenas à atual gestão. A manifestação ocorre dias após a prefeita Flávia Moretti decretar estado de calamidade financeira e fiscal, motivado, entre outros fatores, pelo bloqueio judicial de R$ 19 milhões das contas da Prefeitura e pelo elevado comprometimento das receitas com o pagamento de precatórios.
Mesmo com uma arrecadação anual estimada em R$ 2 bilhões, o município acumula cerca de R$ 1 bilhão em dívidas judiciais. Atualmente, a Prefeitura desembolsa aproximadamente R$ 6 milhões por mês para quitar precatórios, valor muito superior ao registrado em administrações anteriores.
Para enfrentar o problema, o TCE defende a adoção de medidas que reduzam o impacto financeiro das dívidas, como a aprovação de uma lei municipal autorizando acordos diretos para pagamento de precatórios. Segundo Sérgio Ricardo, sem uma solução, os bloqueios judiciais devem aumentar nos próximos meses, agravando ainda mais a situação financeira da cidade.