A Sociedade de São Pio X (SSPX), grupo católico de orientação tradicionalista que voltou ao centro das atenções após ser excomungado pelo Vaticano, afirmou acreditar que poderá ser readmitida na Igreja Católica no futuro. A declaração foi feita neste domingo (5), durante uma missa celebrada na cidade de Wil, no nordeste da Suíça, pelo padre Georg Kopf, um dos representantes da fraternidade.
Durante a homilia, o sacerdote demonstrou confiança de que a atual ruptura com a Santa Sé será revertida sob a liderança de um futuro pontífice, que, segundo ele, dará maior espaço às tradições litúrgicas e doutrinárias defendidas pelo grupo.
Padre aposta em mudança de postura da Igreja
Ao falar aos fiéis, Georg Kopf afirmou acreditar que um novo papa poderá promover uma reaproximação entre a Sociedade de São Pio X e a Igreja Católica.
“Um dia haverá outro papa que abrirá as portas e nos receberá de volta. Assim como o papa Bento XVI”, declarou o sacerdote.
Ele também manifestou esperança de que um futuro pontífice fortaleça a valorização das tradições católicas preservadas pela fraternidade.
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“Estou convencido de que haverá outro papa como ele, que devolverá à tradição o lugar que lhe é devido. Claro que gostaríamos que isso acontecesse amanhã”, afirmou.
Entenda o motivo da excomunhão
A excomunhão ocorreu após a Sociedade de São Pio X realizar a ordenação de quatro bispos sem a autorização do papa, ato considerado uma das infrações mais graves previstas pelo Direito Canônico da Igreja Católica.
Segundo o Vaticano, a fraternidade foi previamente advertida sobre as consequências da decisão e teve oportunidades de diálogo antes da realização das ordenações. Ainda assim, optou por manter o procedimento, resultando na aplicação da pena canônica de excomunhão.
Na legislação da Igreja, a ordenação episcopal sem mandato pontifício é considerada uma afronta direta à autoridade do papa e à unidade eclesial.
Grupo nega intenção de romper com Roma
Apesar da punição, Georg Kopf afirmou que a intenção da Sociedade de São Pio X nunca foi criar uma igreja paralela ou promover um cisma.
Segundo o sacerdote, as ordenações foram realizadas, na visão da fraternidade, com o objetivo de preservar a missão religiosa do grupo e garantir a continuidade de suas atividades pastorais.
“Nada do que aconteceu em 1º de julho teve a intenção de estabelecer uma igreja paralela ou romper com Roma. Pelo contrário, foi precisamente por amor à Igreja e ao papa que essas ordenações foram realizadas, a fim de zelar pela salvação das almas”, declarou.
Relação entre a SSPX e o Vaticano é marcada por décadas de tensões
A Sociedade de São Pio X foi fundada em 1970 pelo arcebispo francês Marcel Lefebvre e tornou-se conhecida por sua defesa da liturgia tradicional em latim e por críticas a algumas reformas implementadas após o Concílio Vaticano II.
Ao longo das últimas décadas, a relação entre a fraternidade e o Vaticano passou por momentos de forte tensão e também de aproximação.
Durante o pontificado do papa Bento XVI, ocorreram iniciativas de diálogo que flexibilizaram parte das restrições impostas ao grupo, embora questões doutrinárias e de autoridade eclesiástica tenham permanecido sem solução definitiva.
Com as declarações deste domingo, a Sociedade de São Pio X reafirma sua expectativa de que um futuro pontífice possa retomar esse processo de aproximação e abrir caminho para uma eventual reintegração plena à Igreja Católica.