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El Niño intensifica seca, queimadas e ameaça biodiversidade da Amazônia, alertam especialistas

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A influência do fenômeno El Niño sobre a Amazônia vai muito além das alterações climáticas temporárias. Ao modificar o regime de chuvas, elevar as temperaturas e prolongar os períodos de estiagem, o fenômeno desencadeia uma série de impactos ambientais que colocam em risco a biodiversidade da maior floresta tropical do mundo e afetam diretamente milhões de pessoas que dependem de seus recursos naturais.

Especialistas alertam que a combinação entre calor extremo, redução das chuvas e secas prolongadas favorece o aumento das queimadas, reduz o volume dos rios, compromete a sobrevivência de inúmeras espécies da fauna e da flora e pode diminuir a capacidade de recuperação dos ecossistemas amazônicos diante de eventos climáticos cada vez mais frequentes e intensos.

Mudanças no clima alteram o funcionamento da floresta

O El Niño é um fenômeno climático caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Essa alteração interfere na circulação atmosférica em diversas partes do planeta, provocando mudanças significativas nos padrões de chuva e temperatura.

Na Amazônia, os efeitos costumam ser mais severos. Segundo o professor Reuber Brandão, do Departamento de Engenharia Florestal da Universidade de Brasília (UnB), o fenômeno contribui para o aumento das temperaturas médias, prolonga os períodos de estiagem e reduz a regularidade das chuvas, favorecendo um ambiente mais seco e vulnerável.

Como consequência, os rios atingem níveis historicamente baixos, dificultando a navegação e comprometendo o abastecimento de comunidades ribeirinhas. Além disso, a vegetação sofre intenso estresse hídrico, tornando-se mais suscetível à mortalidade e à propagação de incêndios florestais.

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Queimadas encontram ambiente favorável

De acordo com o especialista, o ressecamento do solo e da camada de folhas acumuladas no chão da floresta cria condições ideais para que o fogo se espalhe rapidamente, inclusive em áreas que, historicamente, nunca conviveram com queimadas naturais.

“Grande parte da Amazônia evoluiu sem a presença do fogo. Quando ele passa a atingir áreas que nunca queimaram, os impactos sobre árvores, animais e o funcionamento do ecossistema podem ser muito profundos”, destaca Reuber Brandão.

A expansão dos incêndios provoca a morte de árvores centenárias, destrói habitats, reduz a disponibilidade de alimentos para diversas espécies e compromete processos ecológicos essenciais, como a regeneração natural da floresta.

Além da devastação ambiental, as queimadas liberam grandes quantidades de dióxido de carbono (CO₂) e outros gases de efeito estufa, contribuindo para o aquecimento global e fortalecendo um ciclo de retroalimentação das mudanças climáticas.

Biodiversidade e populações tradicionais sofrem os efeitos

Os impactos do El Niño não se limitam ao meio ambiente. Comunidades indígenas, ribeirinhas e extrativistas enfrentam dificuldades crescentes devido à redução do nível dos rios, que prejudica o transporte de pessoas, alimentos, medicamentos e mercadorias.

A diminuição da disponibilidade de peixes, aliada à perda de áreas de coleta de frutos, castanhas e outros produtos florestais, afeta diretamente a segurança alimentar e a renda dessas populações.

A fauna também sofre consequências importantes. A redução da oferta de água e alimentos altera padrões de reprodução, migração e sobrevivência de inúmeras espécies, aumentando o risco de mortalidade e desequilíbrios ecológicos.

Eventos extremos podem comprometer a recuperação da floresta

Pesquisadores alertam que a repetição de eventos extremos associados ao El Niño, somada ao avanço do desmatamento e das mudanças climáticas, pode reduzir significativamente a capacidade de regeneração da Amazônia.

Áreas degradadas tornam-se mais vulneráveis a novos incêndios e à perda permanente de cobertura vegetal, elevando o risco de transformação de partes da floresta em ecossistemas mais secos e menos biodiversos.

Nesse contexto, especialistas defendem o fortalecimento das políticas de combate ao desmatamento, prevenção de queimadas, monitoramento ambiental e adaptação às mudanças climáticas como medidas fundamentais para preservar a Amazônia e os serviços ambientais que ela presta ao Brasil e ao planeta.

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Jornalista: José Claudenir de Almeida – DRT nº 0001650

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