Uma pesquisa divulgada pelo Datafolha nesta sexta-feira (3) indica diferenças significativas na forma como homens e mulheres se posicionam no espectro político-ideológico brasileiro. Segundo o levantamento, as mulheres demonstram maior identificação com a esquerda e a centro-esquerda, enquanto os homens se concentram em maior proporção na direita e na centro-direita.
Os dados fazem parte da matriz ideológica elaborada pelo instituto de pesquisa e mostram como os brasileiros percebem sua posição política, sem representar, necessariamente, intenção de voto ou apoio a candidatos específicos.
Mulheres se identificam mais com a esquerda
Entre as mulheres entrevistadas, 44% afirmaram se identificar com a esquerda ou centro-esquerda, enquanto 37% disseram pertencer à direita ou centro-direita.
Na distribuição detalhada:
- 16% se definem como de esquerda;
- 28% como de centro-esquerda;
- 18% como de centro;
- os demais se posicionam na direita ou centro-direita.
Os resultados sugerem uma inclinação relativamente maior do eleitorado feminino para posições identificadas com o campo progressista.
Homens apresentam maior identificação com a direita
Entre os homens, o cenário observado pelo Datafolha é diferente.
Segundo a pesquisa:
- 50% afirmam se identificar com a direita ou centro-direita;
- 33% dizem pertencer à esquerda ou centro-esquerda;
- 16% se posicionam no centro.
Na divisão mais específica:
- 10% se declaram de esquerda;
- 24% de centro-esquerda.
Os números indicam uma predominância maior da identificação com posições de direita entre o público masculino.
Centro reúne parcela menor dos entrevistados
A pesquisa também mostra que a identificação com o centro permanece relativamente estável entre os dois grupos.
Entre as mulheres, 18% afirmam ocupar essa posição ideológica, enquanto entre os homens o percentual é de 16%.
Especialistas em comportamento político observam que fatores como idade, escolaridade, renda, religião, região do país e experiências sociais podem influenciar a forma como os eleitores percebem sua identidade política.
Identificação ideológica não equivale a intenção de voto
O levantamento mede a autopercepção ideológica dos entrevistados e não deve ser interpretado como pesquisa de intenção de voto.
A identificação com determinado campo político pode influenciar preferências eleitorais, mas não determina necessariamente o apoio a partidos, lideranças ou candidaturas específicas.
Institutos de pesquisa utilizam esse tipo de levantamento para acompanhar mudanças no comportamento político da população e compreender como diferentes segmentos da sociedade se posicionam em relação ao debate público.