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A face da dissimulação: Polícia Civil traça perfil de diarista que fazia do crime um estilo de vida em BH

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O desfecho da prisão de Paola Stefany Neto Cirino revelou uma faceta muito mais sombria do que um simples crime isolado. Para a Polícia Civil de Minas Gerais, a diarista de 30 anos não é apenas uma suspeita, mas uma figura descrita como cruel, calculista e extremamente dissimulada.

O delegado Gustavo Barletta, que lidera as investigações, foi enfático ao afirmar que Paola vive do crime, utilizando sua profissão como uma fachada para acessar a intimidade de lares e escolher suas próximas vítimas.

A frieza demonstrada durante os interrogatórios, onde ela alternava entre o choro e uma postura manipuladora para despertar pena, reforça a tese de que o duplo latrocínio do advogado Cláudio Atala Inácio e da empresária Maria Clotilde não foi um surto, mas um ato planejado com precisão assustadora.

A investigação trouxe à tona detalhes perturbadores sobre o modo de agir da suspeita. Paola carregava em sua bolsa cerca de 40 comprimidos de um forte sedativo, o que, para a polícia, indica uma prontidão para dopar qualquer um que cruzasse seu caminho.

No caso do casal de idosos, a violência foi extrema: o advogado recebeu cerca de 40 facadas, muitas delas nas mãos e braços, evidenciando uma tentativa desesperada de defesa. A esposa também foi golpeada repetidamente.

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Após o crime, a diarista demonstrou uma calma perturbadora ao tomar banho no apartamento, vestir as roupas de Maria Clotilde e sair do prédio carregando joias e relógios de luxo como se nada tivesse acontecido, chegando a tentar vender tênis usados das vítimas para um motorista de aplicativo durante a fuga.

O rastro de crimes deixado por Paola parece ser longo e habitual. Com a repercussão do caso, novas vítimas começaram a surgir, incluindo o próprio homem que a indicou para o casal assassinado. Ele relatou ter perdido a consciência após uma faxina e acordado sem sua carteira, um padrão que coincide perfeitamente com o uso de medicamentos para dopagem identificado agora.

Outra ex-empregadora também reconheceu a suspeita e relatou o desaparecimento de joias valiosas semanas após uma limpeza. Para os investigadores, essa habitualidade criminosa mostra que Paola se sente confortável na condição de infratora, buscando transformar rapidamente o patrimônio alheio em dinheiro vivo, como ocorreu ao vender relógios Cartier e Omega por valores irrisórios logo após os assassinatos.

Apesar da tentativa da defesa em alegar transtornos psiquiátricos, a Justiça e o Ministério Público mantêm o foco na gravidade patrimonial e na crueldade dos atos. A tipificação do crime foi ajustada para latrocínio em dose dupla, refletindo a perda de duas vidas em um contexto de roubo brutal.

Enquanto o inquérito caminha para sua conclusão, a Polícia Civil segue monitorando possíveis novas denúncias, acreditando que o rosto de Paola nas manchetes possa encorajar outras pessoas que foram enganadas por sua postura mansa a buscarem justiça.

A recuperação espontânea de parte das joias por um comprador reforça a rede que a suspeita tentou criar para se desfazer do que roubou, mas a rede de mentiras que ela construiu parece estar definitivamente desmoronando diante das provas.

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Jornalista: José Claudenir de Almeida – DRT nº 0001650

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