Neste sábado (18), o Irã decidiu fechar novamente o Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo, revertendo a reabertura que havia sido anunciada recentemente. A decisão foi comunicada oficialmente por um porta-voz militar à agência estatal Tasnim, ligada à Guarda Revolucionária, destacando que a passagem continua sob rígido controle das Forças Armadas iranianas. Navios mercantes foram informados, via rádio, que nenhum tráfego será autorizado enquanto o bloqueio naval dos Estados Unidos aos portos iranianos estiver em vigor.
O porta-voz do Quartel-General Central Khatam al-Anbia reiterou que as medidas de controle sobre o estreito refletem a resposta do Irã às ações norte-americanas. Em sua declaração, enfatizou que o trânsito permanece restrito e que o Estreito de Ormuz só será liberado quando o bloqueio dos EUA for encerrado. Essa posição reforça o que já havia sido anunciado na sexta-feira (17), quando o país deixou claro que revidaria com o fechamento da rota marítima estratégica caso as sanções continuassem.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, por sua vez, reafirmou na sexta-feira que o bloqueio naval permanecerá “em pleno vigor”, mesmo com o Irã tendo reaberto o estreito por algumas horas. Segundo Trump, a retomada total do tráfego por Ormuz depende da conclusão das negociações de paz com o Irã, que estão sendo mediadas pelo Paquistão. Em uma postagem na Truth Social, Trump escreveu que o estreito “está aberto para negócios e livre tráfego”, mas apenas para outros países. Negociações rápidas são esperadas, dado o progresso recente nas conversas.
A crise no Estreito de Ormuz se intensificou desde o início do conflito no Oriente Médio no final de fevereiro. Em retaliação aos ataques dos Estados Unidos e Israel, o Irã fechou a passagem, ameaçou atacar navios que se atrevessem a cruzar o estreito e utilizou minas navais para dificultar o tráfego. A movimentação de petroleiros foi drasticamente afetada, interrompendo a circulação de cerca de 20% de todo o petróleo e gás consumidos no mundo, fazendo os preços dispararem no mercado internacional.
Mesmo diante da alta tensão, algumas articulações internacionais tentaram mediar a situação. Nesta sexta, líderes da França e do Reino Unido reuniram representantes de dezenas de países para discutir a reabertura do estreito, embora os Estados Unidos não tenham participado da reunião. Enquanto isso, pequenos avanços foram observados, como no caso de três petroleiros iranianos que conseguiram deixar o Golfo transportando 5 milhões de barris de petróleo, marcando os primeiros carregamentos desde o início do bloqueio.
O Estreito de Ormuz tem apenas 35 quilômetros de largura em algumas partes e é margeado por Omã e Irã, sendo um ponto crítico para o comércio global. Sua importância estratégica o coloca no centro de disputas políticas e econômicas de alcance global, transformando a gestão da via marítima em um palco de tensões geopolíticas. A continuidade do conflito no local trará impactos globais diretos, especialmente para o mercado de energia e suas cadeias de abastecimento. O mundo aguarda, agora, os próximos passos dos governos envolvidos e possíveis avanços nas negociações.