CentroesteNews
15/08/2025
O Brasil confirmou o primeiro caso de carcinoma espinocelular da mama associado ao uso de prótese de silicone — um tipo extremamente raro e agressivo de câncer, com apenas 20 ocorrências registradas no mundo desde 1992.
O caso foi identificado por uma equipe coordenada pelo mastologista Idam de Oliveira Junior, do Hospital de Amor (Barretos-SP), e publicado no Annals of Surgical Oncology em 23 de julho. Além do relato clínico, o estudo brasileiro propôs um novo protocolo de estadiamento e tratamento para a doença, que costuma surgir após longos períodos de uso da prótese sem a troca recomendada.
“O diagnóstico precoce é essencial para aumentar as chances de sobrevida. Qualquer alteração na prótese deve ser investigada”, reforçou o mastologista em comunicado da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM).
O caso brasileiro
A paciente, de 38 anos, havia colocado silicone aos 20 anos. Procurou atendimento médico ao sentir dor e aumento de volume em uma das mamas. Os exames detectaram acúmulo de líquido e alterações na cápsula que envolve a prótese. A biópsia confirmou o carcinoma espinocelular.
Mesmo após a retirada do implante e a mastectomia, o câncer voltou de forma agressiva. Ela faleceu dez meses depois do novo diagnóstico.
Entenda a doença
O carcinoma espinocelular ligado a prótese mamária foi descrito pela primeira vez há pouco mais de três décadas. É um tumor de evolução rápida, que frequentemente provoca metástases em pulmões e fígado.
De acordo com o estudo brasileiro, em 17 casos analisados:
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9 pacientes tiveram recidiva no primeiro ano;
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6 morreram em até dois anos;
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A sobrevida média foi de 15,5 meses.
Embora os fatores de risco sejam desconhecidos, especialistas suspeitam que inflamações crônicas na cápsula do implante possam levar à transformação maligna das células. Entre os sintomas mais comuns estão acúmulo de líquido, dor e mudanças na forma da mama.
O protocolo sugerido pela equipe do Hospital de Amor inclui a mastectomia total como medida preventiva contra recidivas.
Alerta para mulheres com prótese
Com o aumento do número de brasileiras que usam silicone há mais de uma década, especialistas reforçam a importância de acompanhamento médico regular, realização de exames de imagem e atenção a sinais como dor, inchaço e alterações estéticas no implante.