O Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT) firmou entendimento de que a criação de um CNPJ específico para a gestão de recursos do Fundeb não implica a formação de uma nova personalidade jurídica. A decisão foi tomada em resposta a uma consulta da Prefeitura de Sinop, sob relatoria do conselheiro Alisson Alencar, durante sessão ordinária realizada nesta semana.
Medida é administrativa e visa transparência
De acordo com o relator, a exigência de um CNPJ próprio para secretarias municipais de Educação — prevista em normas do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) — tem caráter exclusivamente administrativo.
A medida busca garantir maior controle, organização e rastreabilidade dos recursos do Fundeb, sem alterar a estrutura jurídica da administração pública municipal.
“O CNPJ específico constitui apenas ferramenta de controle contábil-financeiro, não criando uma nova entidade jurídica”, destacou o conselheiro.
Contratos continuam em nome da prefeitura
O entendimento do TCE-MT reforça que contratos para aquisição de bens e serviços ligados à educação permanecem vinculados ao CNPJ principal da prefeitura.
Entre na comunidade de WhatsApp do Centroeste News e receba notícias em tempo real
No entanto, quando os pagamentos forem realizados com recursos do Fundeb, deve haver cláusula contratual indicando que a execução financeira será registrada no CNPJ da Secretaria de Educação.
Regras para emissão de notas fiscais
A decisão também detalha como deve ocorrer a emissão de notas fiscais:
- Despesas pagas exclusivamente com recursos do Fundeb: nota em nome do CNPJ da Secretaria de Educação
- Despesas com recursos próprios ou outras fontes: nota em nome da prefeitura
- Despesas com fontes mistas: a nota deve seguir o CNPJ utilizado no empenho e pagamento
Vínculo trabalhista permanece inalterado
Outro ponto importante esclarecido pelo tribunal é que os profissionais da educação continuam vinculados ao CNPJ da prefeitura para fins de registro em carteira, recolhimento de impostos e contribuições previdenciárias.
Isso ocorre porque o Fundeb não possui personalidade jurídica própria, funcionando apenas como um fundo de financiamento.
Sem necessidade de nova estrutura contábil
O relator também afastou a obrigatoriedade de criação de uma nova unidade gestora ou de uma contabilidade separada para o Fundeb.
Segundo o TCE-MT, a separação dos recursos deve ser feita por meio dos classificadores orçamentários e contábeis já existentes, garantindo transparência sem aumentar a burocracia.
Atualização de normas
A decisão atualiza o entendimento anterior do tribunal, alinhando-o às diretrizes mais recentes da legislação, como a Lei nº 14.113/2020, que regulamenta o novo Fundeb, e a Portaria nº 807/2022 do FNDE.
Impacto para municípios
A orientação do TCE-MT traz mais segurança jurídica para os municípios mato-grossenses, que vinham enfrentando dúvidas sobre a operacionalização dos recursos educacionais.
Com isso, as prefeituras podem seguir as exigências federais sem risco de interpretação equivocada sobre criação de novas estruturas administrativas ou jurídicas.