CentroesteNews
06/08/2025
As novas tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos ao Brasil podem provocar uma perda significativa para a economia nacional. Um estudo da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), divulgado nesta terça-feira (5), estima que as medidas americanas já em vigor desde quarta-feira (6) podem retirar R$ 25,8 bilhões do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro no curto prazo e até R$ 110 bilhões no longo prazo.
Mesmo com algumas isenções ao tarifaço de 50% anunciado pelo governo dos EUA, os impactos nas exportações brasileiras serão profundos. Os efeitos devem atingir diretamente a renda das famílias, com retração estimada em R$ 2,74 bilhões em até dois anos, além da eliminação de 146 mil empregos formais e informais em diversos setores da economia.
Indústria e agropecuária sentirão mais os impactos
A análise da Fiemg destaca que os setores industriais mais afetados pelas tarifas são:
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Siderurgia;
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Fabricação de produtos de madeira;
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Produção de calçados;
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Máquinas e equipamentos mecânicos.
Já na agropecuária, o estudo aponta a cadeia da carne bovina como um dos segmentos mais prejudicados. A proteína segue fora da lista de isenções tarifárias e representa uma parte expressiva da pauta exportadora brasileira aos Estados Unidos.
Exportações em risco
Em 2024, o Brasil exportou aproximadamente US$ 40,4 bilhões para os EUA, equivalente a 1,8% do PIB nacional. Cerca de 55% dessas exportações, ou US$ 22 bilhões, estão sujeitas às novas tarifas, afetando diretamente produtos como:
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Café;
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Carne bovina;
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Produtos semimanufaturados de ferro e aço;
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Produtos manufaturados em geral.
Os itens mais sensíveis pertencem justamente aos setores com maior geração de empregos e valor agregado, o que agrava o cenário.
Reações e preocupações
A Fiemg alerta que o impacto das tarifas pode comprometer o desempenho industrial brasileiro, desacelerar a geração de renda e aprofundar a fragilidade do setor externo. A medida é vista como um duro golpe para o comércio bilateral e para a recuperação econômica do país.
A depender da resposta do governo brasileiro e das negociações diplomáticas, o cenário pode se agravar ou amenizar. O Ministério das Relações Exteriores ainda não comentou oficialmente o novo cenário tarifário.