Os preços internacionais do petróleo perderam força e operaram em leve queda na manhã desta sexta-feira (10/4), com os contratos de referência sendo negociados abaixo dos US$ 100 por barril. O movimento ocorre em meio a um clima de otimismo nos mercados financeiros, impulsionado pelo avanço das negociações entre os Estados Unidos e o Irã em busca de um possível acordo para encerrar a guerra no Oriente Médio.
O relaxamento nas tensões geopolíticas alivia a pressão sobre os mercados de energia, que vinham reagindo às movimentações militares e estratégicas na região do Estreito de Ormuz, passagem marítima crucial para o transporte de petróleo e gás natural liquefeito (GNL).
Mercado: acompanhando as cotações
Por volta das 8h10 (horário de Brasília) nesta sexta:
- O contrato futuro do petróleo WTI para maio recuava 0,15%, sendo cotado a US$ 97,72 o barril — referência para o mercado norte-americano;
- O contrato Brent para junho caía 0,05%, a US$ 95,87 — principal referência do mercado internacional.
Na sessão anterior, os preços haviam avançado: o WTI fechou em alta de 3,66%, a US$ 97,87, enquanto o Brent subiu 1,23%, a US$ 95,92, refletindo as preocupações com a estabilidade no estreito estratégico.
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Negociações intensificadas no Paquistão
As conversas entre Estados Unidos e Irã, com o objetivo de encontrar uma solução negociada para o conflito, prosseguem entre sexta-feira e sábado (11/4) em Islamabad, capital do Paquistão. A cidade foi praticamente isolada para garantir segurança às delegações participantes. Áreas sensíveis tiveram acesso controlado, enquanto o Hotel Serena Islamabad foi reservado para sediar as negociações.
A presença do vice-presidente norte-americano J.D. Vance sinaliza um empenho mais direto da administração dos EUA nas tratativas, diante da desconfiança de Teerã em relação a interlocutores anteriores. Por parte do Irã, participam o chanceler Abbas Araghchi e o presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf.
Tensões diplomáticas e comentários públicos
O clima de negociação contrasta com declarações mais ríspidas proferidas na véspera pelo ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump, em publicação nas redes sociais, na qual apontou relatos de que o Irã estaria cobrando taxas a petroleiros no Estreito de Ormuz, e alertou para possíveis consequências se tais ações continuassem.
Ainda na quinta-feira, o presidente do Parlamento iraniano, Ghalibaf, afirmou que “o tempo está se esgotando” no contexto do cessar-fogo, enfatizando que aliados regionais (como o Líbano) são parte inseparável do acordo e que o Irã poderia adotar “respostas fortes” caso os termos do acordo não fossem respeitados.
Por que o estreito de Ormuz importa?
O Estreito de Ormuz, canal marítimo entre o Irã e os Emirados Árabes Unidos, é um dos pontos mais estratégicos para o comércio global de energia. Por ali passa uma fatia significativa da produção mundial de petróleo (estimada entre 20% e 30%) além de grande parte do GNL exportado pelo Oriente Médio. Qualquer ameaça à livre circulação no estreito costuma ter impacto direto nas cotações globais de energia.