A ativista Maria da Penha foi um dos destaques do evento Movimente 2026, promovido pelo Sebrae do Distrito Federal, ao defender maior sensibilidade do Poder Judiciário na aplicação da legislação de proteção às mulheres.
Ovacionada ao subir ao Palco Travessia, a farmacêutica bioquímica e símbolo da luta contra a violência doméstica afirmou que “a lei precisa ser efetivada, não apenas celebrada”, ressaltando que, apesar dos avanços na conscientização, ainda existem barreiras estruturais na Justiça brasileira.
Críticas ao sistema de Justiça
Durante a fala, Maria da Penha afirmou que é necessário um Judiciário mais atento às especificidades das vítimas. “Precisamos ter o Poder Judiciário sensibilizado”, declarou, ao mencionar decisão recente do Tribunal de Justiça de Minas Gerais que absolveu um homem acusado de estupro de uma menina de 12 anos, caso que gerou ampla repercussão nacional.
Entre na comunidade de WhatsApp do Centroeste News e receba notícias em tempo real
Ela destacou que muitas mulheres enfrentam dificuldades adicionais quando buscam proteção judicial, reforçando a importância de ampliar a presença feminina em espaços de poder e decisão.
Empreendedorismo como instrumento de autonomia
Maria da Penha também chamou atenção para a violência patrimonial, apontando que a dependência financeira é um dos fatores que dificultam o rompimento de ciclos de violência. Segundo ela, o fortalecimento do empreendedorismo feminino é uma ferramenta essencial de autonomia.
“A mulher, muitas vezes, ajuda a construir o patrimônio da família e depois não consegue ter acesso ao que ajudou a formar”, afirmou. Para a ativista, incentivar negócios liderados por mulheres contribui para romper esse cenário.
Educação e combate à desinformação
Ao relembrar sua trajetória de 19 anos em busca de justiça após o atentado que a deixou paraplégica, Maria da Penha afirmou que enfrentou resistência institucional e ataques pessoais, inclusive por meio de desinformação nas redes sociais. Segundo ela, a disseminação de notícias falsas abalou sua saúde emocional e reforçou a necessidade de políticas educativas permanentes.
Por meio do Instituto Maria da Penha, a ativista desenvolve projetos como “Lei Maria da Penha em Cordel” e “Prateleira Maria da Penha”, voltados à formação em escolas e empresas.
“A educação é primordial para a desconstrução do machismo”, afirmou.
O Movimente 2026, realizado no Royal Tulip Brasília Alvorada, segue com programação voltada ao fortalecimento do empreendedorismo feminino, incluindo debates internacionais e painéis sobre inovação e inteligência artificial.




