CentroesteNews
27/01/2026
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) intensificou, nas últimas semanas, uma agenda internacional voltada à aproximação com lideranças da direita global, em meio a articulações que indicam sua intenção de disputar a Presidência da República. A mais recente parada foi em Israel, onde foi recebido pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu durante a Conferência Internacional de Combate ao Antissemitismo, realizada em Jerusalém.
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O encontro entre Flávio Bolsonaro, seu irmão Eduardo Bolsonaro e o premiê israelense ocorreu durante um jantar após o segundo dia do evento. Em discurso oficial, Netanyahu citou nominalmente os dois parlamentares brasileiros, sinalizando a manutenção de vínculos políticos com a família Bolsonaro.
“Temos aqui membros do parlamento, incluindo dois irmãos, Eduardo e Flávio Bolsonaro. É muito bom ver vocês do Brasil”, afirmou Netanyahu diante de autoridades e convidados internacionais.
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A visita acontece em um contexto de forte pressão internacional sobre o governo israelense. Netanyahu é alvo de acusações de crimes de guerra relacionadas à ofensiva militar na Faixa de Gaza. Em 2024, o Tribunal Penal Internacional (TPI) passou a analisar pedidos do Ministério Público da Corte envolvendo lideranças israelenses, incluindo acusações como o uso da fome como método de guerra — alegações rejeitadas oficialmente pelo governo de Israel.
Discurso político e aceno eleitoral
Durante o primeiro dia da conferência, na segunda-feira (26), Eduardo Bolsonaro discursou no evento e utilizou o palco internacional para fazer declarações políticas direcionadas ao cenário brasileiro. Ao final de sua fala, mencionou a situação do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e defendeu abertamente a pré-candidatura do irmão.
“Vamos derrotar Lula. Meu irmão, senador Flávio Bolsonaro, irá concorrer à presidência em outubro. Meu pai não poderá concorrer”, afirmou Eduardo, em declaração que repercutiu entre os participantes do evento.
Flávio e Eduardo Bolsonaro estão em Israel desde o dia 19 de dezembro, participando de encontros com autoridades locais e representantes políticos internacionais alinhados à direita conservadora.
Israel é o terceiro país visitado por Flávio Bolsonaro em uma estratégia de fortalecimento de sua imagem no exterior. No início do ano, o senador esteve nos Estados Unidos, onde buscava um encontro com o secretário de Estado Marco Rubio, aliado do presidente Donald Trump. A tentativa, no entanto, não se concretizou. Flávio acabou se reunindo apenas com o deputado republicano Jim Jordan, conhecido por sua atuação na ala mais conservadora do Partido Republicano.
Ainda nos EUA, a expectativa da família Bolsonaro era de sinalizar proximidade com a Casa Branca, mas o presidente Trump optou por manter diálogo direto com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, frustrando os planos do grupo.
Em novembro do ano passado, Flávio também esteve em El Salvador, ao lado de Eduardo Bolsonaro, com o objetivo de se encontrar com o presidente Nayib Bukele. A viagem foi oficialmente registrada como “visita institucional”, mas o encontro com Bukele não ocorreu. O senador acabou sendo recebido apenas pelo ministro da Justiça e Segurança Pública salvadorenho, Héctor Gustavo Villatoro Funes.
A sequência de viagens revela uma tentativa de consolidar apoio político internacional antes mesmo do início formal do calendário eleitoral brasileiro, em uma estratégia que mistura diplomacia paralela, discurso ideológico e antecipação do debate sucessório.