Uma ex-funcionária terceirizada do Superior Tribunal de Justiça (STJ) voltou a público com acusações de assédio sexual contra o ministro Marco Buzzi, relatando episódios que teriam ocorrido entre 2023 e 2025 dentro do gabinete do magistrado. Segundo seu depoimento, houve situações que a fizeram sentir-se profundamente violada, descrevendo aquele período como “o dia em que eu mais me senti violada”.
A mulher, que prestava serviços administrativos no tribunal, contou que servidores próximos sabiam do que acontecia e tentavam ajudá-la a evitar encontros diretos com o ministro. Dois funcionários confirmaram que ela relatava os episódios ainda na época dos fatos.
A denúncia formal, porém, só foi registrada após outra mulher acusar Buzzi de importunação sexual, em janeiro deste ano — episódio que desencadeou uma série de apurações internas e levou ao afastamento do ministro em fevereiro.
STJ avalia abertura de processo administrativo
Com as denúncias em análise, o STJ deve decidir nos próximos dias se instaura um processo administrativo disciplinar, etapa que pode resultar em sanções ao magistrado. Caso o processo seja aberto, o tribunal avaliará a conduta do ministro e os relatos apresentados pelas testemunhas.
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O caso reacende debates sobre mecanismos de proteção a trabalhadoras terceirizadas em órgãos públicos, que muitas vezes lidam com fragilidades institucionais e receio de denunciar superiores hierárquicos.
Defesa critica vazamento de informações
A defesa de Marco Buzzi afirma que os depoimentos fazem parte de procedimento sigiloso e que a divulgação seletiva de trechos viola garantias legais. Os advogados sustentam que o ministro não teve oportunidade de apresentar integralmente sua versão antes da exposição pública do caso.
O que pode acontecer a partir de agora
Se o processo administrativo for instaurado, o STJ analisará:
- a consistência dos depoimentos;
- documentos e registros anexados;
- a conduta funcional atribuída ao ministro;
- a necessidade de medidas disciplinares, que vão desde advertência até perda do cargo, dependendo da gravidade e comprovação dos fatos.
Enquanto isso, Buzzi permanece afastado de suas funções, aguardando a deliberação da Corte.