A Prefeitura de Cuiabá, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), divulgou nesta terça-feira (23) a atualização do boletim epidemiológico da meningite na capital mato-grossense. Os dados apontam que, apesar do registro de novos casos ao longo dos últimos meses, o número de óbitos permanece estável desde abril, totalizando três mortes em 2026.
O levantamento mostra que Cuiabá contabiliza atualmente 17 casos confirmados da doença neste ano. Embora o cenário exija atenção das autoridades sanitárias, a estabilidade no número de mortes e a ausência de casos de meningite meningocócica são considerados fatores positivos pelas equipes de vigilância epidemiológica.
Jovens concentram a maioria dos casos
Segundo o boletim, a faixa etária entre 0 e 29 anos concentra a maior parte das notificações, com 11 dos 17 casos registrados.
Os dados também revelam predominância entre homens, que representam 13 dos pacientes diagnosticados até o momento.
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Especialistas explicam que crianças, adolescentes e jovens costumam estar mais expostos a ambientes coletivos, como escolas, universidades e locais de convivência social, o que pode favorecer a transmissão de agentes causadores da doença.
Diferentes tipos da doença foram identificados
A meningite pode ter diversas causas, incluindo vírus, bactérias, fungos e parasitas. Em Cuiabá, os casos confirmados em 2026 estão distribuídos da seguinte forma:
- 11 casos de meningite não especificada, com um óbito;
- 2 casos de meningite fúngica causada por Cryptococcus, com um óbito;
- 2 casos de meningite viral;
- 1 caso de meningite bacteriana por Streptococcus pneumoniae;
- 1 caso de meningite bacteriana por Staphylococcus, que resultou em um óbito.
Dos 17 pacientes diagnosticados, 11 já receberam alta médica ou foram considerados curados, enquanto outros três permanecem sob acompanhamento das equipes de saúde.
Cuiabá não registra meningite meningocócica
Um dos principais destaques do boletim é a ausência de casos de meningite meningocócica no município.
Essa forma da doença é considerada uma das mais graves devido à sua rápida evolução e ao elevado potencial de transmissão.
De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, não há registro de circulação da bactéria meningocócica em Cuiabá neste ano, o que reduz o risco de surtos relacionados a esse tipo específico da enfermidade.
O que é meningite?
A meningite é uma inflamação das membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal, chamadas meninges.
A doença pode ser provocada por diferentes agentes infecciosos e apresenta níveis variados de gravidade, dependendo da causa.
A transmissão ocorre principalmente por meio de gotículas respiratórias e secreções eliminadas ao falar, tossir ou espirrar, especialmente em situações de contato próximo e prolongado.
Sintomas exigem atenção imediata
Os profissionais de saúde alertam que o diagnóstico precoce é fundamental para aumentar as chances de recuperação e reduzir complicações.
Entre os principais sintomas estão:
- Febre alta;
- Dor de cabeça intensa;
- Rigidez na nuca;
- Náuseas e vômitos;
- Sensibilidade à luz;
- Sonolência excessiva;
- Confusão mental.
Em bebês e crianças pequenas, também podem surgir sinais como irritabilidade, recusa alimentar, choro persistente e alterações na moleira.
A recomendação é procurar imediatamente atendimento médico diante de qualquer suspeita.
Vacinação continua sendo a principal proteção
A Secretaria Municipal de Saúde reforça que a vacinação é a forma mais eficaz de prevenir os tipos mais graves de meningite bacteriana.
Os imunizantes estão disponíveis gratuitamente nas 72 Unidades de Saúde da Família de Cuiabá.
Pelo Sistema Único de Saúde (SUS), são oferecidas:
- Vacina meningocócica C, aplicada aos 3 e 5 meses de idade;
- Reforço aos 12 meses;
- Vacina meningocócica ACWY para adolescentes de 11 a 14 anos.
A vacina contra o meningococo do sorogrupo B continua disponível apenas na rede privada.
Atendimento ampliado e vacinação domiciliar
As unidades de saúde com horário convencional realizam vacinação de segunda a sexta-feira, das 7h às 11h e das 13h às 17h.
Já as unidades com horário estendido atendem até as 21h, ampliando o acesso da população aos serviços de imunização.
O município também mantém o serviço de vacinação domiciliar para pessoas com comorbidades ou limitações físicas que impossibilitem o deslocamento até uma unidade de saúde.
Vigilância e prevenção seguem como prioridades
A Secretaria Municipal de Saúde informa que o monitoramento dos casos permanece ativo e que equipes de vigilância epidemiológica acompanham continuamente a evolução do cenário na capital.
As autoridades reforçam que manter o calendário vacinal atualizado, adotar medidas de higiene e buscar atendimento diante dos primeiros sintomas são ações fundamentais para reduzir os riscos da doença.