Cuba enfrenta uma de suas maiores crises energéticas após um apagão que deixou as províncias de Holguín, Granma, Santiago de Cuba e Guantánamo sem energia elétrica, afetando mais de 3,4 milhões de pessoas. A falha ocorreu na subestação de 220 kV de Holguín às 20h54, horário local, desconectando unidades importantes do sistema energético nacional, conforme informou a Unión Eléctrica (UNE). Esforços estão em andamento para restabelecer o fornecimento, mas a situação expõe vulnerabilidades críticas do sistema elétrico em meio a um momento delicado para o país.
A crise energética em Cuba é agravada pelo bloqueio do fornecimento de petróleo, especialmente da Venezuela. A ausência do combustível essencial para geração de energia elétrica, diesel e gasolina eleva a tensão no país, que depende fortemente de importações para atender à demanda interna. António Guterres, secretário-geral da ONU, alertou que o país corre risco de “colapso humanitário” caso não consiga importar petróleo, com o bloqueio norte-americano como fator agravante. O congelamento do fornecimento de combustíveis, anteriormente amplamente fornecidos pela Venezuela, vincula-se à pressão dos Estados Unidos e à prisão de Nicolás Maduro.
A situação é intensificada por condições climáticas extremas. Cuba registrou temperaturas mínimas recordes, com 0 °C estabelecidos pela estação meteorológica de Indio Hatuey, em Matanzas, marcando a temperatura mais baixa já registrada na história do país. A chegada de uma frente fria polar vinda dos Estados Unidos impactou o território cubano com marcas inferiores a 10 °C em 32 regiões, segundo o Instituto de Meteorologia de Cuba (Insmet). Essa frente fria, incomum no Caribe, expõe ainda mais os desafios enfrentados pelos cubanos, que precisam lidar simultaneamente com a escassez de energia e condições climáticas adversas.
O cenário internacional também é incerto. Donald Trump, ex-presidente dos EUA, voltou a pressionar países que fornecem petróleo a Cuba, ameaçando o México, principal fornecedor da ilha. Segundo apuração da Reuters, o governo mexicano estaria avaliando se deve ou não manter o fornecimento de petróleo, mas teme enfrentar represálias econômicas dos Estados Unidos. Enquanto isso, autoridades mexicanas prometeram apoio humanitário nas próximas semanas, sem detalhes claros sobre como isso será feito. A suspensão do fornecimento poderia ampliar a crise em Cuba, que vive uma combinação de apagões, bloqueio econômico e vulnerabilidades climáticas.
Neste momento crítico, Cuba tenta sobreviver a uma complexa convergência de problemas regionais e internacionais, lutando contra o colapso energético, a pressão política externa e os impactos do frio extremo. A resiliência do povo cubano será colocada à prova em um cenário de profundas mudanças e desafios, enquanto a ajuda internacional e as negociações diplomáticas podem ser determinantes para seu futuro imediato.