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Autismo: por que o acesso ao diagnóstico ainda é tão limitado?

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O estudo Mapa Autismo Brasil (MAB), lançado nesta quinta-feira (9) pelo Instituto Autismos, trouxe à tona um panorama que revela dificuldades no acesso ao diagnóstico do transtorno do espectro autista (TEA) e aos serviços terapêuticos no Brasil. Com base em 23.632 entrevistas realizadas em todo o país, a pesquisa mapeou o perfil sociodemográfico de autistas e as condições enfrentadas por eles e seus cuidadores.

 

Segundo os dados, 20,4% das pessoas que receberam diagnóstico de TEA o fizeram pelo Sistema Único de Saúde (SUS), enquanto 55,2% recorreram à rede particular e 23% usaram planos de saúde. Apesar disso, apenas 15,5% dos entrevistados têm acesso a terapias promovidas pelo SUS, indicando uma dependência da rede privada, que muitas vezes extrapola as condições financeiras das famílias. O custo elevado dos tratamentos e a escassez de serviços públicos limitam a frequência de terapias, com a maioria dos autistas recebendo apenas até duas horas semanais de atendimento, uma carga aquém do recomendado internacionalmente.

O Instituto Autismos alerta que essas limitações comprometem intervenções precoces, essenciais para o desenvolvimento e a autonomia das pessoas com TEA. A pesquisa também apontou que o primeiro diagnóstico costuma ocorrer em idade precoce, até os quatro anos para 51,7% dos casos, mas há um número significativo de diagnósticos tardios que elevam a média para 11 anos. Os primeiros sinais mais frequentemente são detectados por familiares (55,9%), enquanto médicos e professores aparecem em menor proporção.

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O levantamento traçou ainda um perfil do autista brasileiro: a maioria é composta por crianças e adolescentes (72,1%), sendo 65,3% homens e 34,2% mulheres. Em termos socioeconômicos, 28,6% das famílias autistas possuem renda mensal de até R$ 2.862, e 37,9% estão na faixa intermediária entre R$ 2.862 e R$ 9.540. Além disso, mais de 50% das pessoas autistas apresentam comorbidades como transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (51,5%) e transtornos de ansiedade (41,1%).

Na educação, a pesquisa revelou desigualdades significativas. Enquanto 83,7% dos autistas frequentam instituições de ensino, 39,9% não recebem nenhum tipo de apoio pedagógico ou de acessibilidade. Dentre os que contam com assistência, educadores sociais, mediadores pedagógicos e adaptações curriculares são os mais citados, ainda que em proporções insuficientes para atender às demandas reais.

A vida adulta também apresenta desafios estruturais. Cerca de 29,9% dos adultos autistas estão desempregados ou sem renda, um reflexo da baixa inclusão dessa população no mercado de trabalho. Os números evidenciam a necessidade de políticas públicas mais robustas que abranjam não apenas a infância, mas também a transição para a vida adulta e o acesso à empregabilidade.

O estudo também destacou as terapias mais comumente realizadas, lideradas por psicoterapia (52,2%), terapia ocupacional (39,4%) e fonoaudiologia (38,9%). No entanto, 16,4% dos entrevistados informaram não realizar nenhum tipo de terapia, o que reforça as barreiras de acesso. Entre as famílias que investem na saúde de seus filhos, os custos médios mensais variam de R$ 501 a R$ 1.000, com algumas chegando a gastar até R$ 5.000 por mês.

Os dados apresentados pelo MAB ressaltam a urgência de ampliar a oferta de serviços especializados e de incluir o diagnóstico precoce e as terapias multidisciplinares como prioridades no SUS. Além disso, o fortalecimento de políticas de inclusão destaca-se como essencial para garantir que autistas possam exercer pleno direito à saúde, educação e dignidade ao longo de suas vidas. O Instituto Autismos reforça que, para transformar a realidade dessas pessoas, é preciso um esforço conjunto entre governo, instituições de ensino, serviços de saúde, sociedade civil e famílias.

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Jornalista: José Claudenir de Almeida

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