A decisão da presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, de avançar em um acordo que amplia o acesso dos Estados Unidos aos recursos petrolíferos do país provocou críticas tanto entre setores do chavismo quanto dentro da oposição.
A negociação envolve uma parcela significativa das reservas de petróleo venezuelanas e aproxima o governo de Rodríguez da administração de Donald Trump. Para analistas, essa aproximação pode fortalecer politicamente a presidente interina e reduzir a pressão americana por uma rápida realização de eleições.
A possibilidade preocupa setores da oposição, que temem que a cooperação entre Caracas e Washington prolongue a permanência de Rodríguez no poder. A avaliação é de que, ao estabelecer uma relação mais próxima com o governo americano, a líder venezuelana poderia ganhar tempo para consolidar sua posição.
Do outro lado, os setores mais radicais do chavismo também demonstram insatisfação. O movimento criado por Hugo Chávez construiu parte de sua identidade política sobre o nacionalismo e o controle estatal das riquezas petrolíferas do país.
Por isso, um acordo que conceda maior participação aos Estados Unidos no setor pode ser visto como uma ruptura com princípios históricos do chavismo. Rodríguez agora enfrenta o desafio de equilibrar a aproximação internacional com as diferentes forças políticas dentro da própria Venezuela.