A conservadora Keiko Fujimori, do partido Fuerza Popular, conquistou a Presidência do Peru após uma das eleições mais acirradas da história recente do país. Com 99,9% das urnas apuradas, a candidata alcançou 9.206.241 votos (50,11%), superando o candidato de esquerda Roberto Sánchez, que obteve 9.162.855 votos (49,88%). A diferença de pouco mais de 43 mil votos tornou matematicamente impossível uma virada no resultado.
A apuração do segundo turno se estendeu por 17 dias e foi marcada por constantes mudanças na liderança, refletindo a forte polarização política que divide o país. Em diversos momentos da contagem, os dois candidatos apareceram tecnicamente empatados, com diferenças de apenas algumas centenas de votos.
Candidato derrotado contesta resultado
Mesmo diante da vantagem considerada irreversível pelas autoridades eleitorais, Roberto Sánchez afirmou que não reconheceria o resultado da eleição e apresentou recursos questionando votos registrados por peruanos residentes no exterior.
O candidato alegou irregularidades no processo de contabilização desses votos, mas autoridades eleitorais e observadores internacionais afirmaram que o pleito ocorreu dentro da normalidade e rejeitaram as acusações de fraude apresentadas até o momento.
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A Organização dos Estados Americanos (OEA) e observadores internacionais acompanharam o processo eleitoral e defenderam o respeito ao resultado oficial após a conclusão da apuração.
Primeira mulher eleita por voto direto
A vitória de Keiko Fujimori representa um marco histórico para o Peru. Ela se torna a primeira mulher eleita presidente do país por voto direto.
Aos 51 anos, Keiko conquista a Presidência em sua quarta tentativa eleitoral, após derrotas nas eleições anteriores. Sua posse está prevista para o dia 28 de julho, data em que assumirá o comando de um país marcado por sucessivas crises políticas e mudanças frequentes de governo.
Legado de Alberto Fujimori continua dividindo opiniões
Filha do ex-presidente Alberto Fujimori, que governou o Peru entre 1990 e 2000, Keiko carrega um sobrenome que ainda provoca fortes debates na sociedade peruana.
Enquanto apoiadores associam o período ao combate à inflação e ao enfrentamento de grupos armados, críticos apontam violações de direitos humanos e práticas autoritárias durante o governo de seu pai.
A eleição demonstra que o chamado “fujimorismo” continua sendo uma força relevante na política peruana, mais de duas décadas após a saída de Alberto Fujimori do poder.
Desafios do novo governo
Keiko Fujimori assumirá a Presidência em um cenário de instabilidade política, fragmentação partidária e desafios econômicos e sociais.
Entre as prioridades apontadas durante a campanha estão o combate à criminalidade, o fortalecimento da economia e a recuperação da confiança nas instituições públicas.
Analistas avaliam que a nova presidente terá o desafio de governar um país profundamente dividido após uma disputa eleitoral extremamente apertada.