A aprovação do chamado “ECA Digital” reacendeu o debate sobre privacidade de dados e controle de acesso de crianças e adolescentes às redes sociais no Brasil. A proposta prevê a criação de mecanismos para limitar o acesso de menores de idade a determinadas plataformas digitais, mas ainda gera dúvidas sobre como será feita a verificação etária pelos aplicativos e empresas de tecnologia.
Especialistas apontam que uma das principais preocupações envolve justamente o modelo de aferição de idade que poderá ser adotado pelas plataformas. Entre as possibilidades discutidas estão reconhecimento facial, envio de documentos pessoais, cruzamento de dados cadastrais e sistemas de autenticação digital.
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O tema passou a mobilizar debates entre juristas, especialistas em tecnologia, defensores da privacidade digital e representantes das plataformas online, principalmente devido ao risco de aumento da coleta de dados pessoais sensíveis dos usuários.
Críticos da proposta alertam que mecanismos de validação excessivamente invasivos podem ampliar a exposição de informações privadas e aumentar riscos relacionados à segurança digital, vazamento de dados e monitoramento de usuários.
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Por outro lado, defensores do projeto argumentam que a regulamentação busca proteger crianças e adolescentes da exposição precoce a conteúdos considerados nocivos, além de combater práticas como cyberbullying, exploração infantil e acesso inadequado a plataformas digitais.
O debate também envolve a aplicação da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), que estabelece regras para coleta, armazenamento e uso de informações pessoais no país.
Especialistas ressaltam que o desafio será equilibrar proteção de menores e preservação da privacidade digital da população, garantindo transparência no tratamento dos dados e limites claros para atuação das plataformas.
A discussão sobre regulação das redes sociais e proteção de crianças no ambiente digital tem avançado em diversos países, especialmente diante do crescimento do uso de aplicativos por adolescentes e do aumento das preocupações com saúde mental, segurança online e exposição excessiva nas redes.
O texto do ECA Digital ainda deverá passar por etapas de regulamentação para definir como as medidas serão implementadas na prática pelas empresas responsáveis pelas plataformas digitais.