O presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, deputado Max Russi (Podemos), publicou um artigo em que aborda os dados e desafios do combate à violência sexual contra crianças e adolescentes no estado, em referência à campanha Maio Laranja — movimento nacional instituído pela Lei Federal nº 9.970/2000, em alusão ao Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, celebrado em 18 de maio.
No texto, Russi destaca números que colocam Mato Grosso em posição de alerta. Segundo o estudo “Violência contra crianças e adolescentes na Amazônia”, realizado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), o estado é o terceiro do país com maior incidência de violência sexual contra crianças e adolescentes entre 0 e 19 anos, atrás apenas de Rondônia e Roraima.
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O parlamentar também cita dados do Judiciário estadual: os processos por estupro de vulnerável em Mato Grosso cresceram 21% em um ano, passando de 1.714 para 2.082 casos. Somente nos quatro primeiros meses de 2025, foram registrados 627 novos processos, com Várzea Grande figurando entre as comarcas com maior número de ocorrências.
Em âmbito nacional, o Anuário Brasileiro de Segurança Pública aponta que 76% dos estupros registrados no Brasil são classificados como estupro de vulnerável — quando a vítima tem menos de 14 anos. No período analisado, mais de 117 mil meninas de 0 a 14 anos foram vítimas do crime no país.
Russi lembra que, como presidente da Assembleia, sancionou a Lei nº 13.168, de sua autoria, que institui a Política Estadual de Prevenção, Identificação e Coibição de Práticas de Violência ou de Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes e oficializa a campanha Maio Laranja no estado. Também foi aprovada proposta que impede condenados por crimes sexuais contra crianças de exercerem mandato parlamentar em Mato Grosso.
No artigo, o deputado reforça a importância da denúncia por meio do Disque 100, canal disponível 24 horas, gratuito e anônimo, e alerta pais e responsáveis sobre mudanças de comportamento que podem indicar situações de abuso.