O governo federal já trabalha nos bastidores com a possibilidade de negociar mudanças no texto da proposta que prevê o fim da escala 6×1 no Brasil. A avaliação no Palácio do Planalto é de que será necessário construir um acordo com o Congresso Nacional para viabilizar a aprovação da medida.
Segundo interlocutores do governo, a principal alternativa em discussão envolve uma regra de transição para reduzir gradualmente a jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas. Na prática, a mudança permitiria o modelo de cinco dias trabalhados e dois dias de descanso remunerado.
As negociações estariam sendo conduzidas em conjunto com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta. O prazo da transição ainda não foi definido oficialmente, mas integrantes do governo discutem um período de até três anos.
Pela proposta em análise, a jornada teria redução gradual: duas horas a menos no primeiro ano de vigência da PEC e mais uma hora reduzida em cada um dos dois anos seguintes, até alcançar as 40 horas semanais.
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Outro ponto debatido envolve a manutenção dos salários dos trabalhadores. Para evitar perdas na remuneração, a hora reduzida da jornada poderia continuar sendo paga pelas empresas. No entanto, esse valor não entraria no cálculo de verbas trabalhistas como férias, 13º salário e FGTS.
A medida é considerada uma possível concessão do governo durante as negociações com parlamentares e representantes do setor empresarial. O objetivo seria reduzir resistências de empregadores preocupados com aumento de custos trabalhistas.
O debate sobre o fim da escala 6×1 ganhou força nos últimos meses nas redes sociais e em setores ligados ao movimento sindical, que defendem jornadas menores como forma de melhorar a qualidade de vida e reduzir desgaste físico e mental dos trabalhadores.
Por outro lado, representantes do setor produtivo alertam para possíveis impactos econômicos, especialmente em áreas que dependem de funcionamento contínuo, como comércio, indústria e serviços.