A oposição venezuelana intensificou suas demandas nesta sexta-feira ao pedir a convocação imediata de novas eleições presidenciais, alegando a existência de uma “ausência absoluta” de Nicolás Maduro na Presidência da República. O prazo constitucional de 90 dias destinado à substituição temporária do cargo foi ultrapassado sem que houvesse uma solução definitiva, de acordo com os opositores.
O impasse teve início após a captura de Maduro pelas forças dos Estados Unidos em 3 de janeiro. Desde então, Delcy Rodríguez, que era vice-presidente do governo, assumiu interinamente o comando do país. No entanto, grupos opositores, liderados pelo partido Vente Venezuela, de María Corina Machado, afirmam que o prazo estabelecido pelo artigo 234 da Constituição já foi esgotado, tornando indispensável que a Assembleia Nacional reconheça formalmente a vacância do cargo. Em comunicado divulgado pelo partido, foi reforçada a necessidade de cumprir os dispositivos constitucionais, que estabelecem a convocação de novas eleições presidenciais dentro de 30 dias após a declaração de ausência definitiva.
Até o momento, porém, a Assembleia Nacional, amplamente controlada por aliados governistas, não deu sinais de que colocará o tema em discussão. Da mesma forma, Delcy Rodríguez não se pronunciou sobre a possibilidade de convocar um novo pleito. Apesar disso, a pressão da oposição e de movimentos políticos tem aumentado, com críticas também direcionadas ao Conselho Nacional Eleitoral (CNE). De acordo com a oposição, o órgão é acusado de atuar de maneira favorável ao governo durante as últimas eleições, especialmente na contestada reeleição de Maduro em julho de 2024, quando o resultado foi divulgado sem detalhes das atas de votação. A oposição denunciou fraude generalizada e indicou Edmundo González Urrutia como o verdadeiro vencedor, mas ele foi forçado ao exílio após enfrentar represálias judiciais.
A luta pela realização de eleições ganhou mais força nas ruas. Nos últimos dias, protestos em Caracas reuniram milhares de pessoas exigindo maior transparência eleitoral e a transição para um regime democrático. Em suas redes sociais, María Corina Machado destacou a necessidade de mudanças urgentes no país, classificando a situação como “impostergável”.
O impasse também atrai a atenção de especialistas, que apontam a relevância de reformar o sistema eleitoral antes de qualquer novo pleito. Nicmer Evans, cientista político do Centro de Estudos Estratégicos Democracia e Inclusão, vê a possibilidade de eleições ocorrerem até o fim de 2026 ou início de 2027, mas enfatiza que mudanças institucionais são indispensáveis para garantir confiança nos resultados e ampla participação internacional na supervisão do processo.
Enquanto isso, o cenário político na Venezuela permanece instável, marcado por protestos, impasses e a pressão popular por uma transição democrática que ainda encontra barreiras significativas dentro do atual governo.