O Supremo Tribunal Federal decidiu manter a prisão preventiva do mato-grossense Alan Diego dos Santos Rodrigues, acusado de participar da tentativa de explosão de um caminhão-tanque nas proximidades do Aeroporto Internacional de Brasília, na véspera do Natal de 2022. A decisão, assinada pelo ministro Alexandre de Moraes no dia 30 de março de 2026, reforça que não há qualquer elemento novo capaz de justificar a libertação do investigado.
Segundo o relator, permanecem válidos os fundamentos que embasaram a prisão: o risco à ordem pública, o perigo de reiteração criminosa e a necessidade de assegurar a aplicação da lei penal. Para Moraes, as provas reunidas até o momento apontam “fortes e graves indícios” de envolvimento direto de Alan Diego na ação.
Detalhes do caso e a participação dos investigados
De acordo com a investigação, Alan Diego teria ajudado a instalar um artefato explosivo no eixo de um caminhão-tanque estacionado próximo ao terminal aeroportuário, um dos pontos mais movimentados do país no fim de ano. Após posicionar o dispositivo, ele ainda teria feito diversas ligações telefônicas, conduta interpretada pelo ministro como um fator que reforça a materialidade e o risco concreto da ação.
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O caso envolve ainda outros dois réus já denunciados pela Procuradoria-Geral da República:
- Wellington Macedo de Souza — condenado a 6 anos por planejar o atentado e transportar Alan Diego até o local;
- George Washington de Oliveira Sousa — que admitiu ter adquirido armas, munições e explosivos utilizados no plano.
O trio responde por crimes como associação criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado e atentado contra a segurança do transporte aéreo.
Ação penal avança no STF
A ação penal segue em fase de instrução, etapa em que são colhidos depoimentos e analisadas provas técnicas. A manutenção da prisão preventiva, afirma o ministro, é essencial para evitar interferências no processo, dado o potencial de risco representado pelos réus.
Alan Diego está preso desde junho de 2025 e tem feito reiterados pedidos de liberdade, todos negados pela Corte por ausência de fatos novos.
Contexto: a escalada de ataques antidemocráticos
A tentativa de explosão em Brasília ocorreu no auge das tensões políticas pós-eleição presidencial de 2022, quando grupos extremistas promoviam atos contra o resultado das urnas e buscavam produzir instabilidade institucional. O atentado frustrado poderia ter causado uma tragédia de grandes proporções, considerando o fluxo intenso de passageiros e o potencial destrutivo de um caminhão-tanque.
A decisão do STF reafirma a posição da Corte de responsabilizar criminalmente ações violentas e ataques contra o Estado Democrático de Direito, mantendo o foco na prevenção de novas investidas.