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10/12/2025
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O governo federal colocou no ar, nesta terça-feira (9), um painel inédito que permite ao público acompanhar, de forma transparente e interativa, todos os gastos ambientais da União entre 2010 e 2023. A ferramenta (chamada Painel Gastos Climáticos) reúne informações sobre despesas relacionadas a mudança do clima, proteção da biodiversidade e gestão de riscos e desastres.
O sistema é resultado de uma parceria entre o Ministério do Planejamento e Orçamento (MPO), Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Ministério da Fazenda e Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Pela primeira vez, uma metodologia padronizada foi adotada por diferentes órgãos federais para identificar e classificar investimentos ambientais.
R$ 782 bilhões aplicados em 14 anos
Segundo o levantamento inicial, o Governo Central aplicou R$ 782 bilhões no período analisado. A distribuição foi a seguinte:
Agenda climática: R$ 421 bilhões
Proteção da biodiversidade: R$ 250 bilhões
Gestão de riscos e desastres: R$ 111 bilhões
O MPO afirma que, até então, a falta de um sistema unificado dificultava o planejamento e a avaliação de políticas públicas ambientais. O novo painel deve apoiar ações estratégicas como o Plano Clima e o Plano de Transformação Ecológica, que orientam a transição sustentável do país.
A ferramenta também classifica os gastos entre impacto positivo e negativo, permitindo que pesquisadores, gestores e cidadãos avaliem se os investimentos estão alinhados às metas de mitigação e adaptação às mudanças climáticas.
Queda no volume e mudança de perfil dos investimentos
O relatório aponta dois ciclos distintos:
entre 2010 e 2015, os investimentos foram mais altos; a partir de 2015, houve queda significativa.
O MPO atribui essa redução a fatores como:
Ajuste fiscal e austeridade
Criação do teto de gastos
Paralisação do PAC entre 2020 e 2022
Aumento das emendas parlamentares, das quais menos de 5% vão para ações climáticas
Além da redução no total investido, o perfil do gasto mudou. As despesas com adaptação e gestão de risco (como obras para contenção de desastres) passaram de 24% em 2010 para 70% em 2023. Isso indica que o país tem direcionado mais recursos para lidar com eventos extremos já em curso, como enchentes, secas e deslizamentos.
Os gastos voltados à biodiversidade revelaram um paradoxo. Segundo o relatório, o impacto negativo ainda supera o positivo.
Exemplo: hidrelétricas reduzem emissões, mas provocam danos ambientais severos.
Por isso, o Ministério do Meio Ambiente defende que cada ação seja analisada sob “lentes climáticas”, considerando mitigação e compensações ambientais.
O aumento dos eventos climáticos extremos também elevou as despesas em prevenção e resposta a desastres. O relatório destaca que a maior parte do dinheiro vai para redução de riscos, enquanto a governança e análise preventiva ainda recebem pouco.
Outro fator que pressiona o orçamento é o fortalecimento de instrumentos de proteção do campo, como o Proagro, que cobre pequenos e médios produtores contra perdas causadas por seca, geada, granizo e pragas. Muitos deles relacionados ao agravamento das mudanças climáticas.
O desenvolvimento do painel levou quase dois anos e envolveu organismos técnicos e entidades da sociedade civil, como o Observatório do Clima e o WRI Brasil. Segundo o governo, a metodologia é replicável e pode ser adotada por estados, municípios e inclusive outros países.
O painel e o relatório completo estão disponíveis no site do MPO, que também publicou um vídeo tutorial para orientar o acesso e uso da ferramenta.