CentroesteNews
09/01/2026
Entre 2013 e 2016, a Venezuela, sob a liderança de Nicolás Maduro, enviou cerca de 113 toneladas de ouro para a Suíça, avaliadas em aproximadamente US$ 5,2 bilhões. A informação, divulgada pela agência Reuters, lança luz sobre o período crítico da crise econômica venezuelana, quando o país reduziu suas reservas metálicas para obter liquidez e tentar manter a economia em funcionamento diante do colapso das receitas do petróleo.
Ao longo desse período, o Banco Central da Venezuela acelerou as vendas de ouro, buscando financiar o governo através de operações de venda no mercado internacional e do uso do metal como garantia em negociações financeiras. Segundo análises, parte desse ouro foi refinado na Suíça, um dos mais importantes centros globais para o metal, especializado na conversão em barras certificadas no padrão Good Delivery, que facilitam sua comercialização.
Relatórios apontam ainda que essas barras refinadas foram realocadas para outros centros financeiros, como o Reino Unido, além de países como a Turquia. Nesse intervalo, essas movimentações estavam dentro das normas vigentes, não infringindo sanções internacionais, que começaram a ser efetivamente aplicadas pela União Europeia e pelo governo suíço em 2017.
Essas ações ocorreram em um contexto de forte deterioração das contas públicas e total escassez de moeda forte no país. Especialistas avaliam que a gestão de Maduro utilizou a venda de reservas de ouro como recurso emergencial para tentar sustentar o regime diante de uma economia em colapso. A estratégia, no entanto, expôs a gravidade da crise e alimentou desconfianças sobre os mecanismos de manutenção do poder pelo governo venezuelano no cenário internacional.