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Trump quer comprar a Groenlândia: é possível um país adquirir outro território?

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CentroesteNews

11/01/2025

 

O interesse do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em adquirir a Groenlândia trouxe à tona um debate inusitado sobre os limites legais e éticos da compra de territórios entre nações. A Groenlândia, embora seja uma entidade autônoma, ainda está subordinada à Dinamarca em questões de política externa e defesa, tornando a ideia de ser vendida ou anexada aos Estados Unidos algo altamente improvável. Mesmo assim, Trump reacendeu a discussão ao propor a compra da ilha, o que gerou uma resposta firme da Dinamarca: “A Groenlândia não está à venda e nunca estará”, declarou o primeiro-ministro Múte Egede.

Apesar disso, juridicamente, o direito internacional não veta explicitamente esse tipo de transação. Em teoria, um território poderia passar para o controle de outro país mediante condições que incluem a realização de plebiscitos aprovados por uma maioria local e pelo país ao qual o território pertence. Além disso, instituições como o Congresso norte-americano e até mesmo a União Europeia precisariam dar aval a negociações desse tipo. Na prática, esses requisitos criam barreiras quase intransponíveis.
Apenas duas vezes na história recente houve transações desse tipo. No século XIX, os Estados Unidos compraram as Filipinas da Espanha, e, em 1916, adquiriram as Ilhas Virgens da Dinamarca. Contudo, naquela época, o cenário político e econômico era muito diferente, e interesses estratégicos e militares se sobrepunham de forma mais marcante nas relações entre os países.
A ideia de Trump, porém, extrapola a simples transação comercial. Fontes revelam que aliados do presidente consideram até medidas de convencimento direto, oferecendo somas de dinheiro aos 57 mil habitantes da Groenlândia. Os valores, segundo especulações, variam de US$ 10 mil a US$ 100 mil por pessoa em troca de apoio a uma eventual anexação. Pesquisas locais mostram que a população da ilha, embora deseje maior independência da Dinamarca, resiste à ideia de se tornar território americano.

Outra via discutida pelo governo dos EUA seria reforçar a presença militar na região do Ártico, considerada estratégica para a vigilância das lacunas no Atlântico Norte. No entanto, isso também enfrenta a resistência dos membros da Otan, aliança que Trump ameaça desestabilizar com suas declarações sobre o território dinamarquês.

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Embora a compra da Groenlândia pareça improvável, o interesse de Trump reflete ambições maiores dos Estados Unidos na região ártica, rica em recursos como minerais e hidrocarbonetos. O debate reacende uma questão histórica: até que ponto os territórios podem ser negociados como commodities? Hoje, no entanto, o cenário mundial sugere que tal prática enfrenta resistências que vão além das leis, envolvendo fatores culturais, diplomáticos e geopolíticos. O futuro da Groenlândia certamente continuará a gerar discussões sobre soberania e influência internacional.

 

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Jornalista: José Claudenir de Almeida

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